10,5% do milho exportado no País saem das lavouras do Paraná

Brasil chegou no ano passado à posição de maior exportador de milho; Mato Grosso, Goiás e Paraná respondem por quase 80% de toda a exportação do produto

Simoni Saris - Grupo Folha
Simoni Saris - Grupo Folha

Irã, Japão, Espanha, Coreia do Sul e Malásia são os principais compradores do milho paranaense
Irã, Japão, Espanha, Coreia do Sul e Malásia são os principais compradores do milho paranaense | Anderson Coelho 15/10/2018
 


O Brasil atingiu o posto de maior exportador mundial de milho no ano passado e deixou para trás os Estados Unidos, até então líderes absolutos nas vendas externas do cereal. Na semana passada, o Departamento de Agricultura dos EUA divulgou os dados finais da balança comercial do milho e os produtores norte-americanos enviaram ao mercado estrangeiro 41,3 milhões de toneladas do grão contra 42,7 milhões de toneladas comercializados pelos brasileiros. A Argentina é o terceiro país na lista dos principais exportadores, com 36,2 milhões de toneladas.

Na comparação com 2018, o incremento das exportações brasileiras de milho em 2019 foi de 89%.  Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o Mato Grosso foi o estado com maior volume de exportações, equivalente a 56,3% de todo o montante comercializado no mercado externo. Na sequência vêm Goiás, com 11,3% e o Paraná, com 10,5%. Os três estados respondem por quase 80% de toda a exportação de milho brasileira. “O pico das exportações foi a partir de junho (de 2019), deu uma queda em outubro, mas ainda está em um patamar superior do que nos anos anteriores”, analisou o engenheiro agrônomo e analista técnico do Sistema Ocepar, Maiko Zanella.



Apesar de o Paraná ser o segundo maior produtor nacional de milho, perdendo apenas para o Mato Grosso, nas vendas ao mercado externo o Estado tem uma contribuição menor porque consome boa parte do cereal produzido nas suas lavouras, assim como acontece com Santa Catarina e Rio Grande do Sul.  “Os três estados da Região Sul são os maiores produtores de proteína animal do País. O Paraná é o maior produtor de frango e no Sul também é forte a produção de suínos e, mais recentemente, de peixes. O principal componente da ração desses animais é o milho. Entre 60% e 70% da produção de milho da região vai para o consumo interno”, explicou Zanella. O milho representa 68% da composição da ração das aves e 76% da alimentação dos suínos. “O Paraná é o único estado autossuficiente na produção de milho para abastecimento interno e manda muito cereal para Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, destacou.

Ainda assim, no ano passado, o Paraná contribuiu com 11% das exportações do grão do País contra 5% em 2018, conforme dados do Mapa. Os principais compradores do milho paranaense foram Irã, Japão, Espanha, Coreia do Sul e Malásia, nessa ordem.

Próxima safra

A principal safra de milho do Paraná é a segunda, cujo cultivo começa logo após a colheita da soja, que está em curso. Mais de 90% do milho colhido no Estado vem dessa safra. Mas em razão do atraso no plantio da soja, que em algumas regiões do Paraná chegou a dois meses, o cereal também deve ser semeado mais tarde, o que pode comprometer a produção. “O milho vai ser plantado um pouco mais tarde e gera preocupação em relação ao clima porque é uma cultura de verão e tem riscos de pegar geada na fase crítica ou pegar uma outra condição climática desfavorável. E os estoques internos abaixaram”, disse o analista técnico da Ocepar, ressaltando, porém, que isso ainda são apenas conjeturas.



 

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