Se colocar no lugar do outro é uma questão de habilidade e o trabalho voluntário pode ser um exercício dessa capacidade ao incluir pessoas em realidades diferentes. O CVL (Centro Voluntário de Londrina) liga os interessados em oferecer ajuda aos projetos sociais que necessitam e, nessa rede empática, promove cursos, palestras, auxilia e distribui cuidado com o próximo na cidade.

"A pessoa acolherá o outro sem julgamentos, estereótipos e preconceitos, buscando identificar os problemas e encontrar soluções práticas e transformadoras. A empatia gera uma rede solidária. A maioria dos voluntários acompanhados pelo CVL já vivenciou experiências dolorosas", conta Daniela Resende Faria, fundadora da ONG, ativa desde 2003. O centro possui um site de divulgação e recebeu uma sede na zona norte da cidade.

Uma dessas pessoas citadas por Faria é Nelma Vieira da Boa Morte, 52, ex-presidiária que se tornou voluntária. Após uma vida difícil em regiões de vulnerabilidade social e o envolvimento em ações criminosas, consegue compreender melhor a realidade de pessoas que estão nessa situação. "Como eu tive uma vida com o crime, eu queria estar lá para ajudar, resgatar, pessoas que hoje estão envolvidas, porque hoje eu posso aconselhar", conta.

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Nelma começou um processo de evangelização ainda no cárcere, onde ficou por dois anos e quatro meses. Há um ano e meio livre, continuou exercendo o seu trabalho em ocupações. "A melhor coisa da minha vida foi ter ido parar atrás das grades. Hoje o que eu posso fazer para compensar, eu faço", explica. Atualmente, seu trabalho consiste no auxílio da reforma na sede da ONG e na captação e distribuição de cestas básicas.

No entanto, nem todos os voluntários passaram por uma situação difícil como a de Nelma e o contato com essa realidade pode chocar. "Têm pessoas que chegaram para ajudar, viram a situação, sofreram. Gente que nunca pisou em um barro, chega lá e vê criança suja, aquilo comove a pessoas. Assim como ter o impacto de medo, ver helicóptero da polícia sobrevoando a comunidade. Isso mexe muito", conta a voluntária.

Para ela, a sociedade está muito distante da realidade, o que gera preconceito. "A sociedade exclui um pouco as ocupações, mas deveria se aproximar e ver a situação. É fácil chegar e tacar pedra sem saber por que a pessoa chegou àquele ponto. Por exemplo, lá têm idosos aposentados que só têm dinheiro para comprar remédio e você vai ver, ele não se encaixa no requisito da Cohab. As pessoas precisam enxergar o motivo, entender o que aconteceu, estar mais atentas", observa, citando a falta de empatia.

Nas palestras sobre o trabalho voluntário organizadas pelo CVL são abordados esses temas por meio de dinâmicas em que os envolvidos vivenciam situações para experimentar na prática a dificuldade do outro. "Assim, eles têm a oportunidade de viver na pele as dificuldades e necessidades dessas pessoas, deixando julgamentos e preconceitos de lado, além de desenvolverem a observação, percepção e uma visão crítica voltada à ação e à transformação social", afirma Faria. Para a fundadora da ONG, o trabalho voluntário ajuda a desenvolver a empatia. E a empatia leva ao trabalho voluntário. A soma dos dois tem o poder de transformar a sociedade.

SERVIÇO
Site: www.voluntarioscvl.org.br
Telefone: (43) 3329-8562
Sede: Rua Francisco Marques de Oliveira, 698 - Conjunto Habitacional João Paz

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