Casada e mãe de uma adolescente, a funcionária pública Rosângela Fernandes Pessoa Lemes usa o horário depois do trabalho e os fins de semana para buscar e entregar doações. Ela conta que tenta buscar o equilíbrio entre os pedidos e o que de fato é possível fazer. A funcionária pública confessa que muitas vezes fica abalada com as situações que encontra, mas já aprendeu que precisa estar bem para poder ajudar. Nas vésperas da entrevista, por exemplo, ela viu uma mulher passar mal perto dela na rua e ao ajudar, descobriu que ela estava sem comer desde o dia anterior.

O trabalho também trouxe bons frutos. Além de muitos amigos, Lemes já presenciou pessoas que foram ajudadas se tornarem voluntários. "Tem uma pessoa que ainda vive em uma situação muito humilde, mas sempre que precisamos faz visitas em seu bairro e distribui as doações. Cada um ajuda como pode", destaca.

Com atuação forte junto à comunidade, a voluntária diz que não espera pelo poder público, embora faça questão de participar de reuniões e audiências relativas ao bairro e sua comunidade, sugerindo e fiscalizando o que é feito. "Estamos aqui para fazer o bem. Não vou ficar feliz sabendo que um muro ali precisa ser pintado e eu tenho a tinta aqui. No grupo somos um conjunto, sempre coloco que 'nós' conseguimos uma doação, 'nós' fazemos. Não usamos o nome de quem doou, sempre é o grupo. Voluntariado é 24 horas, o coração não descansa." (E.G)

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