Há quem diga que não chora de jeito nenhum, mas tem quem se intitula "manteiga derretida". Assistindo a um filme, gargalhando, de saudade ou de nervoso, cada um sabe quando a vontade surge e, às vezes, ela vem sem aviso. Por quê você chora? Quando foi a última vez? Reportagem da FOLHA foi às ruas oferecer um ombro amigo.

A vendedora Elisângela Pereira, 32: "Não posso nem ver novela que eu choro
A vendedora Elisângela Pereira, 32: "Não posso nem ver novela que eu choro | Foto: Fotos: Lais Taine



A vendedora Elisângela Pereira, 32, não tem problema em dizer: "Não posso nem ver novela que eu choro." Assumida, conta que as lágrimas aparecem na raiva, na emoção e nas situações tristes. "Sou emotiva", confessa.

Não é assim com o comerciário Valdinei Ferreira, 50, que diz não chorar com facilidade. "Não lembro quando foi a última vez, faz tempo. Para chorar tem que ser um negócio que emociona", diz, para em seguida soltar um relato. "Eu não era sensível, mas parece que vai chegando certa idade, a gente presta mais atenção nas coisas. Quando se é mais novo, é durão, o coração é forte", brinca.

A vendedora Elisângela Pereira, 32: "Não posso nem ver novela que eu choro
A vendedora Elisângela Pereira, 32: "Não posso nem ver novela que eu choro | Foto: Fotos: Lais Taine



O motivo que faz Ferreira chorar é saudade. O mesmo de Dirce Pereira Pinto, 57, que ao contar que perdeu a mãe há um ano, caiu em pranto. "É o que mais me faz chorar, só de falar dela eu já começo", enxuga as lágrimas. A auxiliar de serviços gerais conta que é emotiva e que ver problemas de outras pessoas ou ouvir uma história triste a deixa emocionada.

Dirce não se considera a pessoa ideal para oferecer um ombro amigo. "A pessoa não te escuta, eu dou conselho, não adianta. Aí vem chorar no meu ombro?", exemplifica com uma situação que está passando com uma amiga. "Eu estou avisando, falando, mas ela não está me ouvindo", comenta.

Psicologia
De acordo com a professora do curso de psicologia da Universidade Positivo, Amanda Vasconcelos, as emoções dependem da história de vida de cada indivíduo. "O choro é uma expressão de afeto, pode ser raiva, alegria, tristeza... A possibilidade de alívio através do choro é grande. Tem a ver com a realidade psíquica, o que se interpreta do que viveu. Cada pessoa reage de uma forma diferente e é preciso analisar caso a caso", afirma.

"Acho que quase todo dia a gente chora de rir", revela a estudante Marília Pereira, 20
"Acho que quase todo dia a gente chora de rir", revela a estudante Marília Pereira, 20



Se falar sobre o próprio choro parece ruim, quando se trata do outro, a questão pode ficar pior. "O constrangimento vem dessa identificação com a fragilidade do outro, por isso é ruim ver pai ou mãe chorando, porque demonstra algo de humano em quem 'teria' que ser forte", explica Vasconcelos.

Colocar-se à disposição tem a ver com o respeito. "Sempre é bom perguntar para a pessoa o que ela espera diante do choro, porque tem gente que prefere ficar sozinha, outro quer falar, o humano não é padrão", afirma.

"Tenho vergonha, não gosto de chorar, mas às vezes acontece, é bom", diz o estudante Fernando Carvalho, 21
"Tenho vergonha, não gosto de chorar, mas às vezes acontece, é bom", diz o estudante Fernando Carvalho, 21



Melhor Remédio
Chorar de alegria também vale. O casal de estudantes Marília Pereira, 20, e Fernando Carvalho, 21, conta as diferenças. Enquanto ela chora por qualquer motivo, o namorado afirma evitar as lágrimas, mas os dois contam que choram de rir com frequência. "Acho que quase todo dia a gente chora de rir", afirma a jovem, já rindo de alguma situação que não contou.

Sobre oferecer um ombro amigo, eles afirmam serem bons nisso. "Pode chorar perto de mim, não acho constrangedor, só não sei muito o que fazer", explica Carvalho. Mas quando é com ele, prefere chorar sozinho. "Eu tenho um pouco de vergonha, não gosto de chorar, mas às vezes acontece, é bom", defende.

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