Acordar cedo, muito cedo. Fazer as compras, montar a barraca. Suportar sol, chuva, frio, vento. Receber os clientes com alegria e atenção, procurando saber qual o interesse específico de cada um deles. A rotina de quem trabalha na feira pode ser muito difícil, mas também muito divertida. Afinal, trabalhar a cada dia da semana em um lugar possibilita conhecer sempre pessoas novas, com diferentes hábitos. Essa pelo menos é a opinião de Lourival Aparecido Gonçalves de Abreu, que há 27 anos trabalha comercializando cereais e vassouras nas feiras livres de Londrina.

"Cada dia estamos em um lugar, cada dia é uma clientela diferente. Acho muito prazeroso, presto um serviço à comunidade", diz. Por causa do produto que vende ele diz que não é necessário chegar tão cedo nas feiras, das quais ele participa diariamente. Cada feirante tem liberdade de escolher os dias e os locais onde quer trabalhar.

Pai de cinco filhos, Abreu conta com a ajuda de alguns deles na tarefa diária. Já a esposa fica responsável por cuidar dos afazeres domésticos. Eles chegam ao local de trabalho entre 6h e 6h30. Para facilitar as vendas o feirante já oferece o pagamento com cartão de débito e de crédito e se lembra da época em que "financiava" as compras para alguns fregueses.

"A pessoa vinha na feira com cheque, mas não podia sair dando um cheque em cada banca. Aí o cliente fazia a compra comigo, calculava mais ou menos quanto ele ia gastar na feira e me pedia uma quantia em dinheiro. Depois que fazia as compras nas outras bancas vinha e me dava um cheque do valor total", conta, dizendo que vender fiado, entretanto, não era possível. "No máximo eu segurava o cheque uns dias."

Terminados os afazeres na feira, geralmente no horário do almoço, é hora de desmontar a banca e voltar para casa. No dia da entrevista ele estava acompanhado da filha Eleonora Gonçalves Abreu. "Eu prefiro vir para a feira do que ficar em casa fazendo trabalhos domésticos. Não ligo de acordar cedo, porque quando eu ia para a escola acordava cedo também", afirma ela.

Em tantos anos como feirante, Abreu diz que viu muitas famílias se formarem e crescerem. "Uma vez eu atendi uma moça e ela me perguntou se eu me lembrava dela. Ela vinha ainda criança, ficava enfiando as mãos nos sacos de grãos e de vez em quando levava umas broncas da mãe. Hoje cresceu, está casada e já tem filhos. Vinte e sete anos é uma vida, é preciso gostar de fazer isso", analisa ele.

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