Verdadeiro ou falso?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Elas estão por toda parte. Podem causar tanto transtornos simples, como fazer alguém deixar de usar copos plásticos ou desodorante com alumínio por medo de câncer, como pessoas pararem um tratamento médico em busca de uma solução milagrosa. Nos casos mais drásticos, inocentes foram mortos por terem sido confundidos com pessoas que cometiam delitos. Em ano de eleições, toda a atenção está voltada para as informações falsas, chamadas popularmente de "fake news", já que podem influenciar o resultado do pleito.
Apesar de o assunto já ter sido muito debatido, todos os dias diversas informações falsas são compartilhadas nas redes sociais, tanto por pessoas ingênuas que acreditam em tudo o que leem, quanto por mal intencionados que desejam favorecer ou prejudicar determinada pessoa, ganhar dinheiro aumentando a visualização de sites ou simplesmente causar confusão.
A reportagem da FOLHA fez um teste em suas redes sociais, submetendo cinco "notícias" à avaliação pública através de uma enquete no Instagram (leia mais nesta edição). Algumas informações eram mais recentes, outras já haviam circulado bastante pelas redes sociais, inclusive com várias pessoas desmentindo os fatos, como os ovos de plástico. Mesmo assim, 40% dos internautas que responderam à enquete consideraram a informação como verdadeira.

FONTES OFICIAIS
Já uma informação verdadeira, a dos radares inteligentes, foi considerada falsa por 56% dos que participaram da pesquisa. A modelista Silvana Farias, de Londrina, foi uma das pessoas que responderam corretamente. Ela conta que recebe com frequência fake news pelas redes sociais e sempre busca fontes oficiais como os sites dos jornais e do Google para saber se aquilo procede.
"Nesses dias mesmo, quando recebi as notícias envolvendo esse Dr. Bumbum fui conferir se era verdade, se ele realmente tinha feito aquilo. Uma outra vez me mandaram uma informação com um print de uma tela de um canal de televisão, falando sobre um bloqueio do WhatsApp. Naquela informação dizia que eles estavam ao vivo, mas fui conferir o horário que aparecia na fotografia, comparei com o horário que era e vi que não podia ser verdade, era notícia velha", conta.

Além de buscar separar as informações verdadeiras das falsas, Faria também avisa os amigos para não compartilharem fake news. "Se eu recebo uma já aviso a pessoa para não compartilhar mais porque é mentira", garante.

APELATIVO
O estudante de Zootecnia Andrey Piante Chotolli também procura saber sempre a fonte antes de compartilhar algo que recebe pela internet. "Eu clico no link para ver de fato o que aconteceu, quando é algo muito chamativo. Tem gente que coloca o título apelativo para ganhar acesso. Também busco a notícia nos jornais e outras fontes, para saber se é aquilo mesmo que está sendo dito", explica.
Ele explica que na sua área de estudo são comuns as informações falsas ou equivocadas, como as dos ovos de plástico, e esse é um dos motivos para tomar cuidado antes de acreditar ou compartilhar o que recebe. "Acho que algumas pessoas de mais idade, por falta de vivência nas redes sociais, não sabem que nem tudo que está ali é verdadeiro e acabam compartilhando as coisas sem saber. Eu também não posto uma foto esperando receber curtidas, mas isso varia de pessoa para pessoa. Há quem coloque as coisas justamente para receber 'likes'. Também acredito que vai da índole da pessoa compartilhar de forma deliberada algo que ela sabe que é falso", pondera.


