Imagem ilustrativa da imagem Veia artística
| Foto: Ricardo Chicarelli
"Sinto que a moçada hoje sofre menos com as coisas abstratas da alma. Eles querem se realizar", diz a artista plástica Regina Menezes



A artista plástica Regina Menezes lutou muito tempo contra o DNA artístico herdado do pai pintor e escultor. "Ele era um pai diferente e aquilo me deixava desconfortável, apesar de achar lindo o que ele produzia. Os pais das minhas amigas pegavam uma pastinha e iam para o trabalho e o meu ficava em casa", lembra.

Os anos passaram e Regina se viu insatisfeita com o jornalismo e a mudança de Curitiba para Londrina foi a ruptura que tanto precisava. "Voltei com disposição, cheguei e fui comprar material, telas, tintas e pincéis. Fiz cursos e workshops", conta. "Foi um reencontro comigo, rever meu passado com afeto e carinho", diz.

Ao contrário do pai, que precisou migrar para a publicidade para criar os quatro filhos, Regina consegue viver da arte. "Mas nunca parei para pensar no que quero deixar como legado. Trabalho como necessidade interior."

Para ela, o filho Daniel, designer gráfico, é uma evolução dela e do que ela recebeu do pai. "Sinto que a moçada hoje sofre menos com as coisas abstratas da alma. Eles querem se realizar. E imagino que os filhos deles vão sofrer menos ainda", diz, percebendo a leveza como herança para as próximas gerações.

Radicado em Londres, o filho cresceu vendo a mãe no ateliê. "Desde pequeno ele tinha um olhar atento quando me via pintar. Hoje ele trabalha com criação e sinto nele a mesma curiosidade que eu tenho. Fico feliz", diz. (K.M.)

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