Realizado em Curitiba, o Quilt & Craft Show é um dos maiores eventos de patchwork e artes manuais do País
Realizado em Curitiba, o Quilt & Craft Show é um dos maiores eventos de patchwork e artes manuais do País | Foto: Luiz Costa/ Divulgação



Terapia, passatempo, renda extra. O artesanato tem diversas funções, mas com a situação econômica do País tem aumentado o número de pessoas que buscam qualificação e aprimoramento nas técnicas do feito à mão. Realizada no final de agosto em Curitiba, a oitava edição do Quilt & Craft Show, um dos maiores eventos de patchwork e artes manuais atraiu não só curitibanos mas também artesãos de todo o Estado e refletiu essa tendência. Além de cursos gratuitos e pagos, os participantes também puderam conhecer novas técnicas, equipamentos e materiais, ter contato com professores renomados e trocar experiências com outros artesãos.

Emília Aoki, artesã e organizadora do evento, conta que o número de participantes ficou dentro da expectativa, o que já era esperado devido ao momento econômico, mas a demanda por cursos pagos foi 80% superior aos números de 2017. "Os cursos gratuitos sempre atraem muita gente, mas os cursos pagos tiveram todas as turmas lotadas, e não são preços populares, custando em média R$ 300, justamente por serem de nível intermediário e avançado. Talvez isso seja um reflexo da situação, as mulheres querem se capacitar, ver as novidades, ter contato com os mestres", explica.

Outro reflexo da profissionalização do artesanato, segundo Aoki, são as lojas que revendem linhas, tecidos, tintas e outros materiais. Segundo ela, no último ano esse número aumentou de 67 para quase 800, em todo o Paraná. "É a força do empreendedorismo feminino. A contruição da mulher é muito importante. Muitas eram donas de casa e agora se tornaram artesãs."

Ela mesma é um exemplo desse empreendedorismo. Há cerca de 20 anos começou fazendo em casa as peças de patchwork, depois conquistou um espaço na tradicional feira do Largo da Ordem, realizada aos domingos no centro de Curitiba, e por fim abriu uma loja. "Quando comecei na feira era a única que vendia esse tipo de peça, hoje são em torno de 57."

Aoki confirma que os homens ainda são minoria no papel de artesãos, mas diz que muitos trabalham junto com a companheira cuidando da parte de administração e logística do negócio, reforçando o lado familiar do artesanato.

VALORIZAÇÃO
Assim como em todo tipo de comércio, o artesanato também funciona por ciclos, sendo que a cada intervalo de tempo uma determinada arte é mais valorizada do que outras. "Agora o bordado está em alta, é uma tendência mundial, está sendo valorizada toda a cadeia, desde o fio até o produto final. Tricô e crochê estão em baixa, a artesã não consegue cobrar tanto porque as pessoas não estão valorizando. Mas essa valorização também é cultural e depende do poder aquisitivo da região. Geralmente os lugares com maior poder aquisitivo valorizam mais", afirma ela.

Para quem deseja investir nesse tipo de negócio, Aoki dá a dica: mais o artesão souber, melhor. E as técnicas podem ser misturadas nas peças. "O investimento inicial é baixo e muitos não precisam de cursos iniciais, já aprenderam com a família. Temos cada vez mais participantes e o artesanato está cada vez mais aceito. Tem cursos pela internet. Só precisa ter capricho, que vai ser o seu diferencial. O artesão precisa ter noção de cores e de materiais, mas isso vai aperfeiçoando com o tempo."

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