Carolina Matos e Adriano Huhn com a filha Anita, de 2 anos: "Nosso foco é a vida"
Carolina Matos e Adriano Huhn com a filha Anita, de 2 anos: "Nosso foco é a vida" | Foto: Fotos: Rei Santos



Aos 2 anos de idade, Anita é uma garota curiosa e que gosta de explorar os caminhos das formigas, os buraquinhos do jardim e conhecer coisas novas. Como as crianças de sua idade, ainda está descobrindo o mundo e precisa de tempo para isso. Entretanto, no dia a dia corrido dos adultos, nem todos os pequenos têm essa oportunidade. Felizmente muitos pais já perceberam que seus filhos podem ser mais felizes com uma criação menos acelerada e mais próxima à natureza, como propõe o movimento SlowKids.
A professora Carolina Matos, mãe de Anita, conta que precisou desconstruir vários conceitos sobre a maternidade logo após o parto. "Além de ser uma pessoa acelerada, como professora da Educação Infantil eu aprendi que a criança deve ser estimulada o tempo todo para se desenvolver. Dessa maneira, lia para ela ainda na barriga, conversava, sempre pensando que ela deveria ser estimulada. Quando fui para a maternidade levei CD, livros e até brinquedos. Mas quando ela nasceu não mamava direito, foi um começo tenso, difícil", afirma.
Carolina conta que após o começo tumultuado, só foi pegar um livro para ler para Anita quando a filha tinha três meses e mesmo assim de forma natural, sem maiores expectativas. "Descobri que ela só precisava da mãe, e da mãe, bem. Nesse tempo, por uma estranha coincidência, começou a aparecer na minha timeline alguns textos sobre o SlowKids", diz ela.
A partir de então, a professora conta que tenta levar a vida de forma mais leve e calma, inclusive para que a filha, naturalmente agitada, também se tranquilize. Até o marido, Adriano Huhn, aderiu ao movimento. "Ele é mais calmo do que eu, então com ele a Anita fica mais tranquila também. Tentamos fazer as coisas mais devagar, o nosso foco é a vida. Somos cada vez mais natureza, mais os amigos. Hoje o que faço é brincar, mas não pensando que ela tenha que atingir determinado objetivo. Não quero que ela aprenda as coisas antes do tempo. Ela sabe as cores, mas nós não ficamos mostrando e fazendo-a repetir. Ela aprendeu naturalmente."



Carolina diz que fica feliz que tenha conhecido o movimento desde cedo, e que a filha seja criada dessa maneira. No dia a dia, os pais tentam respeitar o tempo da menina, se programando para ter mais tempo disponível para ela. Como Anita está na fase de querer fazer as coisas sozinha, Carolina diz que quando precisa sair de casa já prevê uma hora para se preparar, ao invés dos anteriores 20 minutos.
"As cartilhas que dizem como ser pai e mãe são muito pesadas. A rotina é importante, mas deve ser flexível. As crianças vêm em outro tempo, nós que as inserimos na nossa loucura. Elas precisam apenas ter tempo para brincar. As ideias mais inovadoras vêm de pessoas que brincaram muito, que imaginaram. A obrigação dos pais é criar um ambiente seguro para a criança brincar. E mesmo na vida adulta é possível ter um respiro, acordar um pouco mais cedo para meditar, andar de bicicleta", recomenda.

Imagem ilustrativa da imagem Uma coisa de cada vez
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