Um hobby que virou negócio
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sexta-feira, 15 de junho de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Há cerca de 20 anos o fotógrafo Rafael Goes se aventura por lugares belíssimos, mas nem sempre amigáveis a turistas convencionais. Nepal, Indonésia, Índia, Fiji, Pantanal, Lençóis Maranhenses e Bonito, entre muitos outros foram cenário para suas fotos. Com o tempo, ele percebeu que expedições poderiam ser uma oportunidade de negócio e atualmente se dedica a acompanhar pessoas interessadas em conhecer alguns desses locais.

Goes trabalha em parceria com um amigo de São Paulo e também com uma agência de turismo de Londrina, que dá todo o apoio que o grupo precisar. Entre os clientes há grupos de amigos e empresas, que promovem eventos corporativos com objetivos variados.

"Fazemos expedições fotográficas, mas não se restringe a isso, podem ser técnicas, sociais ou um presente da empresa para os colaboradores. Já fizemos viagens nacionais e internacionais. Sou fã do nosso País, acho que é super lindo, uma pena que o governo não reconheça o turismo como algo bacana. O Peru, por exemplo, está além de Machu Pichu", aponta.
Na hora de escolher os destinos, Goes conta que sempre busca locais que tenham uma infraestrutura mínima, como trilhas sinalizadas, por isso o foco em parques nacionais. "Comercialmente não posso oferecer algo muito radical", justifica.

Ele diz que não é raro os participantes pedirem aulas e dicas de fotografia durante as expedições. Goes também faz fotos durante a viagem, que entrega aos participantes depois, como parte do pacote contratado. "A maioria já sabe fotografar, leva câmera profissional, mas tem quem peça dicas de como fotografar, aprende a fotografar na viagem. Já fiz expedição que era de viagem apenas, mas um dos participantes pediu para aprender algumas coisas. É um curso na prática, estamos fotografando juntos, e vendo os resultados na hora, dentro das minhas limitações eu sempre faço, não tenho problema nenhum", garante.

PERRENGUES
Para quem ainda tem dúvidas, Goes explica que a diferença entre uma expedição e uma viagem convencional é justamente esse ato de explorar, por isso não é para todo mundo. "Mas já me surpreendi, porque achei que uma pessoa ia dar trabalho e no final não deu, e o inverso já aconteceu também. A natureza te acalma. O psicológico manda mais do que o físico porque a pessoa vai passar por provações, vai querer uma refeição saborosa e pode não ter, vai ter que tomar banho de balde, por exemplo. Aí fica à flor da pele depois de dez dias. Tem que estar disposto a alguns perrengues."
Ele pondera que hoje está mais fácil chegar a lugares mais remotos, justamente por causa do mundo digital. Entretanto, não dispensa ferramentas analógicas como mapas e bússolas. "O Google não funciona na China. E tem a questão das baterias. Em lugares remotos a energia é um problema. O analógico você nunca perde."

TIBETE
Em suas viagens particulares o fotógrafo já visitou povoados longínquos na Índia, com acesso ainda restrito a turistas. Uma de suas expedições mais marcantes foi ao vilarejo de Langtang, ao norte de Catmandu, e que faz fronteira com o Tibete, em 2008. Em 2015 houve um terremoto no Nepal e destruiu o vilarejo. "Eu voltei depois no Nepal mas não nessa vila, várias fotos que eu fiz na época eu imprimi e deixei para entregarem para eles. Quando voltei no ano passado não fui lá, não sei se estão vivos. Você não espera uma coisa dessas. É uma história triste, mas eles estão se reerguendo. Vejo as fotos e penso que isso não existe mais, aquilo não existe mais. Em expedição tem lugares que você passa e depois não existe mais", lamenta.



