Um convite para a transformação
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
"Saia do seu pequeno mundinho. E entre no pequeno mundinho de outra pessoa. E então faça isso de novo e de novo. E de repente, todos esses pequenos mundinhos se juntam numa teia complexa. E de repente, sem notar, você está vendo o mundo de maneira diferente. Tudo mudou. Tudo na sua vida mudou. E é isso, claro, que importa", convida o sociólogo Sam Richards em conferência do TEDxPSU.
Para entender as nuances de outros povos, Richards convida a plateia a um exercício de imaginação e constrói um relato histórico já conhecido por todos, mas sob outro viés. A partir desta experiência, espera que as pessoas se submetam à reflexão sobre o outro. O exercício tenta demonstrar o que é a empatia.
Segundo a professora de psicologia da UniFil, Isabel De Negri Xavier, a "empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, mas sem nos colocarmos para trás, o que equivale a poder ouvir o outro, escutar, ter alguma coisa para dizer. Por isso, são necessárias capacidade de compreensão e capacidade afetiva."
Muitas vezes, a capacidade é confundida com outros fenômenos, como simpatia, gentileza, cidadania, mas Xavier explica que a empatia tem caráter mais profundo que as ações. "É mais complexa que os outros elementos, passa pela capacidade intelectual e afetiva, exige compreensão", indica. Segundo ela, uma parte dessa capacidade já é herdada geneticamente, mas o ambiente também ajuda a desenvolvê-la.
LEIA TAMBÉM
- Reflexo nas redes sociais
- Aprendendo a ser empático
Na tentativa de exercitar esta habilidade, o filósofo Roman Krznaric, autor do livro "O poder da empatia: a arte de se colocar no lugar do outro para transformar o mundo", fundou o Museu da Empatia, que esteve no Brasil no fim do ano passado. A instalação consiste em disponibilizar sapatos de outras pessoas para que os visitantes pudessem calçá-los enquanto caminhavam ouvindo suas histórias. Lançado em 2015, a intenção é que as pessoas olhem para o mundo com outros olhos.
De acordo com a psicóloga, para poder enxergar o mundo com outros olhos é preciso aceitar as diferenças. "A pessoa empática tem essas características. É justamente ouvir o que não é do mundo dela e ainda assim poder ajudar o outro. Entram nessas questões, a tolerância e a capacidade de suportar a frustração", afirma. Em tempos de polarização acentuada e diálogos intolerantes, é preciso um esforço e exercitar a empatia para viver em sociedade, a boa notícia é que qualquer um pode aprender.


