Imagem ilustrativa da imagem Um continente, muitas tendências



As cores, os sons, os aromas e toda a riqueza das culturas africanas se espalham pelo Brasil através da moda, das pistas de dança – em ritmos como afrohouse e até o kuduro -, da culinária popularizada pelos refugiados e também da literatura. Cada vez mais, a influência africana se torna presente em elementos contemporâneos que vão além da capoeira, dos pratos preparados pelos escravos e dos conteúdos históricos ensinados nas escolas.
A professora Lucimar Dias, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro Brasileiros da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que esta influência não é novidade. "A África como referência de culturas sempre esteve presente, embora não levasse os créditos", diz. As técnicas de mineração usadas no Brasil, por exemplo, foram trazidas do continente, assim como o modo de praticar serraria. "Conhecimentos tradicionais são usados pelos cientistas que nem sempre dão o crédito às fontes", continua.
O combate à simples apropriação cultural, segundo ela, tem ocorrido através de movimentos sociais que passaram a "problematizar" o silenciamento em relação ao conhecimento e às manifestações culturais africanas. "Hoje há uma reivindicação sobre os devidos créditos", aponta.
Na moda, ela observa que a estética negra, quando passou a ser valorizada pelos movimentos de empoderamento dos negros, começou a chegar às lojas como tendência. "O movimento negro tem conseguido trazer esta estética para um lugar de positividade", destaca, criticando, por outro lado, a apropriação de elementos culturais sem o respeito à representatividade. "A revista que coloca uma mulher branca usando turbante na capa não está gerando representatividade. É um acessório que tem sentido de luta, se a indústria da moda quer vender, que venda respeitando as origens e usando modelos negras", pede.
Na literatura, Lucimar cita o exemplo da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie para mostrar a disseminação da cultura africana através dos livros que chegam a outros continentes com grande sucesso. "Ela usa novas mídias para quebrar o ciclo de circulação da informação por uma única via. A fala dela viraliza e acaba apropriada por diferentes grupos", diz.
Apesar do sucesso crescente da nigeriana, a professora questiona que o empoderamento dos autores africanos ainda é frágil. "A referência que temos do continente ainda é o Mia Couto, um africano branco", pontua.
Para quem quer conhecer mais sobre a cultura da África contemporânea, ela lembra que as redes sociais estão cheias de referências. As fanpages África e Agenda Africana, no Facebook, por exemplo, possuem notícias sobre a África em português. Já o blog África Vive (blog.africavive.es), em espanhol, traz dicas culturais de diversos países do continente.

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