Um carro para chamar de nosso
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sábado, 20 de janeiro de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

Dividir os custos de deslocamento, fazer amizades, economizar com estacionamento e ainda cuidar do meio ambiente. Bastante antiga, a carona se modernizou e hoje não é preciso mais ficar na beira da rua ou da estrada com o polegar em riste. Há diversos aplicativos para cadastrar motoristas e caroneiros interessados em dividir os custos e compartilhar a viagem. Alguns se limitam a oferecer caronas para o trabalho e outros não limitam os objetivos.
Com cadastros que incluem fotos e cópias dos documentos, além das avaliações de outros membros, os aplicativos se tornam um meio um pouco mais seguro, na opinião dos usuários. Viajando rotineiramente para São Paulo, a estudante de artes visuais Lua Specian recorre sempre a um mesmo aplicativo de carona, além de um grupo em uma rede social.
Specian conta que nunca teve problemas durante as viagens, mas toma outras medidas de segurança além de verificar o perfil do motorista no aplicativo e as avaliações do mesmo. "Se possível dou uma checada nos perfis nas redes sociais, vejo se temos amigos em comum e antes de sair de viagem peço para tirar uma foto do motorista e da placa do veículo e envio para dois contatos meus. Mas o melhor mesmo é viajar sempre que possível com o mesmo motorista", ensina.
Através do aplicativo ficam disponíveis o perfil do motorista, o percurso, quantos lugares há no carro e o valor da carona, entre outros detalhes da viagem, assim é possível escolher aquela que mais se adequa às necessidades dos usuários.
Como em outros aplicativos de compartilhamento, ela conta que já fez amizades através da carona. "Fui para Curitiba com outras duas garotas e descobri que uma delas estuda no mesmo Centro que eu. Com a carona você economiza, o tempo passa mais rápido e descobre novas pessoas, afinal, você vai passar algumas horas tendo que estabelecer uma conversa amena com alguém que não conhecia. Sem contar que o carro é mais confortável. Mas minha dica sempre é: procure saber quem é a pessoa e se não sentir segurança, procure outra carona", destaca.
Motorista da vez
O consultor de sistemas Jonatas Dias Brito Bicudo também é um usuário do aplicativo de caronas, tanto como motorista, como quanto caroneiro.
Tendo Sorocaba, no interior paulista, como terra natal, ele conta que viaja bastante. "Comecei a usar em 2013, quando eu não tinha carro. Morava em Belo Horizonte e gastava bastante com passagens, ai resolvi pesquisar sobre os aplicativos. De lá para cá fiz várias viagens, me mudei de Minas para o Rio de Janeiro e há dois anos estou em Londrina. Nunca tive qualquer problema, mas viajo sempre pelo aplicativo porque é possível ver a avaliação do motorista. E quando as pessoas conhecem um bom motorista procuram viajar sempre com ele", explica.
Depois de comprar o próprio carro, ele se cadastrou como motorista e ofereceu várias caronas. "Preciso colocar as condições do carro, modelo e quantos lugares estou oferecendo. Acho bom porque tenho companhia para conversar e posso dividir os gastos com o combustível. A carona é boa para ambos os lados. Em termos de segurança, procuro conhecer a pessoa antes, ir conversando. Mas nunca tive problema. Mesmo uma vez que uma garota levou a cachorra dela e achei que ia ser uma bagunça, correu tudo bem. Ela trouxe uma capa, forrou o banco, foi muito tranquilo", garante.

E a segurança?
A morte de uma jovem em novembro do ano passado ao dar carona para um rapaz reacendeu o alerta sobre compartilhar o carro com desconhecidos. Kelly Cristina Cadamuro tinha 22 anos e viajava de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, para visitar o namorado em Itapagipe (MG), na companhia de Jonathan Pereira do Prado.
A carona havia sido combinada pelo WhatsApp e o homicídio teria acontecido em Frutal, interior de Minas Gerais. Segundo o Ministério Público, Prado teria estuprado e assassinado a jovem. Ele e mais dois homens que teriam receptado o carro roubado foram presos.
Procurado pela reportagem da FOLHA, um delegado da Polícia Civil de Londrina que não quis ser identificado disse que, pessoalmente, não recomenda o uso de aplicativos nem grupos de carona, já que não há como ter certeza da identidade real das pessoas. Mesmo com o cadastro de documentos haveria a possibilidade de falsificação. "Se eu for assaltado ou assassinado, eles irão fazer alguma coisa?", questionou.
Ele alerta que não temos como saber se a pessoa dirige com segurança, se o veículo está em boas condições, nem se a habilitação é válida. "As pessoas só pensam em chegar ao destino, mas não consideram os riscos. Mesmo olhando redes sociais, não é possível saber com certeza quem é o outro, já que lá cada um coloca o que quer. Imagina se a pessoa está transportando drogas e o carro é parado (pela polícia)? Se for necessário pegar carona, faça isso com uma pessoa conhecida, como um amigo de faculdade, uma pessoa com quem você ou um amigo próximo convivam", recomenda. (E.G)


