Tudo por uma grande missão
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sexta-feira, 21 de setembro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
O desejo de ajudar o próximo às vezes é tão forte que algumas pessoas deixam a vida que tinham para imergir em outro universo muito diferente do original. Áreas de conflito e vulneráveis, contato com a miséria e desesperança, cultura e línguas diferentes, nada disso foi empecilho para um casal de missionários de Londrina que foi para o Sudeste da Ásia ajudar crianças e adolescentes.

"Primeiramente, nós fomos para a Indonésia trabalhar em um orfanato com crianças que sofriam perseguição religiosa. Ficamos quatro anos lá", conta Robson Barbosa, 38. Antes disso, ele e a esposa, Aline Barbosa, 34, passaram por um treinamento de dois anos em São Paulo atendendo aos chamados de emergência em várias regiões do País. "Em 2008, decidimos vender tudo, desfizemos nossa casa, pegamos nossas coisas e fomos morar em um quarto em São Paulo para se preparar para ficar lá no Sudeste da Ásia", conta Robson.
Os dois se conheceram quando ele ainda estava na faculdade de fisioterapia e já havia o desejo mútuo de se dedicar ao cuidado do outro. Durante três anos viveram em Londrina, antes de tomar a decisão de deixar tudo e mergulhar de vez no que acreditam ser o chamado de Deus. "Deus foi trabalhando no nosso coração. É um desprendimento total, a gente tinha uma casa, nossos pertences, mais que valor material é o valor sentimental de coisas que tivemos que deixar. Você vai apenas com duas malas e isso é a sua casa", conta.
Na Indonésia, as barreiras como língua e cultura não impediram de exercer o trabalho. "No início tem o choque cultural, mas o processo do dia a dia, o convívio com as crianças, você vai conhecendo e construindo um relacionamento. Essa é a importância da empatia para o missionário, você não consegue suportar, aprender nova língua se não se doar de coração para o povo", indica Robson.
Lá tiveram uma filha, Melissa, 7. Com a finalização do orfanato na ilha, decidiram ajudar crianças no Camboja, onde a família aumentou. Srey Peit, 14, e a irmã, Phary, 12, foram adotadas pelo casal. "Foram três anos e meio até conseguirmos a guarda delas. São duas filhas, que eram órfãs de pai e mãe, e tiveram um passado muito difícil. No ano passado o governo nos deu a guarda e agora a gente pode sair do país com elas", afirma.
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A saída é só um passeio, pois Robson afirma que o Camboja continua sendo o lugar da família. "Amamos nossa pátria, mas nós temos um amor muito grande pelo sudeste da Ásia", afirma. A intenção é iniciar um novo projeto com crianças de 5 a 10 anos que sofreram abuso sexual, um "safe place" para que essas crianças possam ter a experiência de viver em família, ter alimentação, escola, local seguro e futuro "para que sejam transformadas e sejam transformadores."
Tudo isso depende de uma rede de empatia. O casal vive de doações coordenadas pela igreja. "Também dependemos da empatia de outras pessoas que têm empatia por nós. É um trabalho solidário, se não tivéssemos essas pessoas, também não conseguiríamos viver lá. É uma rede de empatia, que gera solidariedade, amor, que se une em prol de crianças que precisam de ajuda para ter uma vida diferente", afirma.
Robson acredita nesse poder da união para transformação e fala da importância do engajamento das pessoas, outros profissionais, que colocam o dom para o bem do próximo. "Às vezes, médicos, dentistas, enfermeiros se juntam e vão pelo menos nas férias, tudo isso é importante. Tem pessoas que não podem ir, mas contribuem de outra forma, sustentam as crianças", aponta.
A intenção é quebrar um pouco o passado difícil do país para enxergar um futuro diferente. "Queremos quebrar o ciclo, que eles possam ter empatia pelo próximo, que possam ver o amor... E que essas crianças, quando crescerem, sejam também agentes de transformação, que olhem para essas pessoas para tornar isso uma rede. Algo que vai continuar para outras gerações", finaliza.


