A professora de dança flamenca Ana Paula Minari: "Percebi que as pessoas não vêm só pela dança, muitas querem se superar em algo"
A professora de dança flamenca Ana Paula Minari: "Percebi que as pessoas não vêm só pela dança, muitas querem se superar em algo" | Foto: Saulo Ohara



Muitas vezes para colocarmos um projeto em andamento precisamos de um "empurrãozinho". Seja na hora de estudar para o vestibular, fazer aquele curso com que sonhamos há muito tempo, uma viagem a sós. Nesse momento uma pessoa motivadora, que nos sirva de inspiração, pode fazer toda a diferença. E muitas vezes essa pessoa nem precisa ser exatamente ligada a aquilo que desejamos fazer, apenas saber como nos impulsionar para nossos sonhos.

Lidando com alunos de diferentes idades e variadas histórias de vida, a professora de dança flamenca Ana Paula Minari sempre está motivando seus alunos e aprendeu a adaptar a aula conforme a necessidade de cada um, para que não desistam de aprender a dançar.

"Vim do balé, onde tudo é mais rígido. Quando trabalhamos com criança é mais flexível, o corpo está se formando. Os adultos já chegam prontos. Comecei a perceber que quando forçava as pessoas a fazerem determinadas coisas que elas não conseguiam, elas iam embora. Conforme foram chegando pessoas mais velhas, senti a necessidade de mudar o foco", conta.

Assim, se uma aluna não pode bater muito os pés porque tem problemas nas articulações, ela adapta o movimento. Para outra que tem labirintite e não pode girar, a proposta pode ser caminhar lentamente, ou girar apenas "um pouquinho". "Percebi que as pessoas não vêm só pela dança, muitas querem se superar em algo. As alunas me veem como uma amiga e, conforme soltam o corpo, vem a história", diz Ana Paula.




Trabalhando com dança há 25 anos, a professora conta que muitas das alunas chegam às aulas depois de ficarem viúvas, se divorciarem ou passarem por outros problemas pessoais. "Tive aluna que a família não apoiava, dizia que ela iria fazer todos passarem vergonha na apresentação. Mas ela acabou descobrindo que era capaz. Durante o curso vou percebendo como cada pessoa vai trabalhando e aos poucos refletindo seu interior."

Recentemente os alunos se apresentaram em um espetáculo de final de ano e ao pisarem pela primeira vez em um espaço novo, se sentiram inseguros. Ana Paula conta que foi preciso conversar com todos, mostrando as dificuldades que cada um superou durante o ano e mostrando que ali também poderiam se superar. "O espetáculo foi maravilhoso, esse ano foi muito gratificante porque eles evoluíram muito. O crescimento deles me motiva a continuar", garante.

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