Com um passado menos abastado que o atual, José Roque dos Santos, 69, teve que aprender a ser mais seguro com o dinheiro. "Foi uma vida de muito sacrifício, nossos pais se esforçaram para dar um padrão de qualidade tendo como bíblia a educação", lembra. Ele e a esposa, Aparecida Bizarro dos Santos, 61, tiveram que aprender a lidar com as questões financeiras já nos anos iniciais do casamento, quando não tinham nem geladeira em casa.

Com experiência e estudo, tomaram como base dois preceitos básicos: não gastar mais do que tem ou ganha e ter um bom planejamento. O aposentado possui uma planilha de controle anual e todo mês insere suas despesas. Com a média dos três primeiros meses do ano, define o limite de consumo de cada item anotado, como alimentação, locomoção e saúde. "Eu incluo todos os objetivos e metas. O objetivo define o que eu quero em um período de 10 a 15 anos. A meta é quanto em percentual eu preciso economizar, que pode variar para cada pessoa, de 10% a 30%", explica.

Quando começa a sair da meta, a planilha aponta quais áreas tiveram gastos acima da média, assim, o casal começa a fazer cortes. "Geralmente, a gente corta nas saídas de finais de semana. Se a gente sai quatro vezes ao mês, passa a ir duas vezes. Além de economia de energia, água, luz e não desperdiçar. Tudo faz parte do planejamento", ensina. Uma parte da receita também é reservada para emergências.

FAMÍLIA
O domínio com o orçamento foi algo desenvolvido durante a vida, o que tenta passar aos filhos. "Minha filha demorou um pouco, mas o meu filho tem uma noção completa de que se planejar e guardar dinheiro fazem parte da vida", afirma.

Santos destaca o apoio da mulher, que compreendeu a situação e educou os filhos sob os mesmos preceitos, mostrando que nem sempre é possível dar tudo que desejam. "Tem que colocar limite, não pode só dizer 'não', tem que dizer o porquê. Nós podemos dar aquilo que temos, não dá para dar aquilo que não temos", defende.

Mas nem tudo é perfeito. Os filhos já são adultos, não moram com os pais, mas quando estão de visita, acabam deixando escapar uma luz acesa, banhos longos, gasto com água ou outras despesas que não passam despercebidas pelo pai. "Quando eles vêm em casa é uma luta, eles não têm muito essa noção ainda. Aí eu falo 'desliga a luz!', 'faça isso, faça aquilo', com jeitinho tudo dá certo", ri da situação.

TETO E ARROZ
Essa forma de levar a vida, com controle de gastos, já foi alvo de críticas até de familiares. "O gozado é que quem fala está passando dificuldade", alfineta. O aposentado argumenta que as pessoas não entendem que ele tem quase 70 anos e que é preciso se planejar, até pela questão de saúde, investimento que ele não dispensa.

É preciso determinação, fruto de quem sabe bem onde pisa. "Se analisar racionalmente, o ser humano precisa de muito pouco para sobreviver. Se você tiver um teto, hoje você compra um saco de arroz por R$ 10 e dá para passar um mês", indica. Apesar do exemplo radical, a atitude não chega a isso. Com a esposa, viaja, come fora, vive a vida, sempre com planejamento. Com isso, dorme o sono dos justos, de quem deita a cabeça no travesseiro sem dever nada a ninguém.

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