Roberto Usukura cultiva produtos orgânicos na zona rural de Londrina
Roberto Usukura cultiva produtos orgânicos na zona rural de Londrina | Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

Roberto Usukura trabalhou sempre na roça com o pai, mas aos 22 anos partiu em busca de oportunidades no Japão. Foram longas décadas por lá, organizando a vida financeira até o retorno ao Brasil. Na sua chegada, fez algumas tentativas, mas decidiu voltar ao campo, onde leva uma vida mais simples investindo em plantação de hortaliças orgânicas.

“Quando eu voltei, fiquei um ano parado, pensei em muitas coisas, trabalhei de empregado, mas eu gostava das coisas de sítio”, conta ele. Verduras sem agrotóxico foi a sua aposta. Usukura tem uma rotina de muito trabalho para cuidar das plantas sem a utilização de defensivo ou adubo. “Aqui eu acordo com as galinhas, mas não durmo com elas”, brinca. Tudo para conquistar o selo de qualificação de produtos orgânicos.

Botina e camisa, as mãos calejadas, a roupa cheia de poeira vermelha não escondem a vida dura. Com a ajuda de um sobrinho ele dá conta de nove mil metros quadrados de plantação em seu terreno e no da irmã. “É puxado, de manhã não tem frio, calor, feriado, tenho que trabalhar de qualquer jeito, é difícil”, afirma. Mas o fato de amar a vida no campo não o faz desistir. “Eu gosto muito, não gosto de ficar parado”, revela.

Sem internet e, às vezes, sem sinal de celular, Usukura leva a vida no campo com seus próprios costumes, mas não se considera um caipira nato. “Não muito, porque eu não tenho criação de galinhas e outros animais, não vou a festas e bailes... mas eu gosto de música sertaneja!”, diz ele, que ao comparar suas características às daqueles que considera ser caipira genuíno, percebe que sua rotina está muito ligada ao modo de vida caipira.

Ele vai à cidade uma vez por semana para resolver algumas questões pessoais e também para visitar o pai. “Só. Pegar shopping, cinema, não é muito a minha praia...”, sorri, lembrando, porém, que não evita os convites dos amigos para uma cervejinha. Para ele, viver no campo é uma escolha e necessidade, uma vida que não considera tão caipira, mas que é nesse contato com a terra e natureza que ele se encontra.

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