Torcida para aprender
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sexta-feira, 22 de junho de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

André Lopes tinha apenas 5 anos quando o Brasil levou o 7 x 1 da Alemanha na última Copa do Mundo. Agora, aos 9, vai representar o país rival na gincana do colégio. "Mas só aqui na escola, em casa eu torço para o Brasil", responde animado entre gritos da torcida na abertura do evento estudantil. Para inserir as crianças ao clima da Copa do Mundo, escolas estão promovendo atividades educacionais ligando o tema ao ensino.
"O tema Copa do Mundo contribui pedagogicamente para trazer aprendizagens de valores, princípios e também a qualidade de vida, o que o esporte traz de uma forma mais evidente", afirma Raquel Calil Ruy, diretora educacional do Colégio Universitário. Aproximadamente 1.400 alunos, do 1º ano do ensino fundamental à 3ª série do ensino médio, estarão envolvidos na dinâmica.
Cada equipe representa um país e terá provas que envolvam solidariedade, cultura e esporte. A aluna Sophia Schnaid, 7, do 1º ano, estava entusiasmada por representar os portugueses. "A gente vai desfilar com as cores hoje, mas já estou curiosa para saber como é Portugal", conta. Além de aprender sobre várias regiões do mundo, Sophia também comprou camiseta verde e amarela que ajudará o Centro de Tratamento de Queimados do HU.
O clima possibilita a inclusão de temas atuais ao ensino e o desenvolvimento de áreas para além do conhecimento técnico. "A Base Nacional Comum Curricular traz na sua essência o aprendizado aplicado na vida. A Copa contribui para a percepção de questões como perseverança, resiliência, equidade, conhecimentos factuais, história dos países, respeito às culturas... É um tema muito rico para se trabalhar na escola", explica a diretora.
A interdisciplinaridade e transversalidade também são destacadas por Andrea Caetano, diretora do colégio Positivo Santa Maria. "Vamos propor atividades de conhecimento, de interação, que envolvam a interdisciplinaridade desde o berçário até o 9º ano. Assim, trabalhamos não apenas geografia, como língua portuguesa, educação física, matemática", cita sobre a gincana programada para os 384 alunos da unidade que será aplicada em toda a rede de escolas do grupo.

Nos olhos infantis, essa é mais uma forma de se divertir com os amigos e torcer pelo Brasil, já os adolescentes são mais questionadores. "Cada idade tem uma maturidade, os menores vibram muito, têm a percepção ingênua. Com os maiores, nós vamos trabalhar o patriotismo dentro de um contexto pedagógico sobre a realidade do país", explica Caetano.
Um desafio e tanto propor o patriotismo para uma geração que cresce ouvindo críticas cada vez mais negativas sobre o próprio país. "Nossos alunos têm tido informação ruim sobre o Brasil, por isso, devemos incentivar a reflexão: 'o que tem de bom em nosso país e o que podemos fazer de diferente?'", afirma Raquel Calil Ruy, que defende o equilíbrio para evitar alienação e trazer pontos positivos do momento. "É a nossa pátria, nossa terra. Não importa a situação, mas ensinar que a gente pode fazer diferença, isso é cidadania."


