Tempo: excesso de atividades ou falta de planejamento?
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de novembro de 2018
Melissa Antonychyn 
Estamos em um período que somos requeridos para realizar uma série de tarefas, seja na vida profissional, como também na vida pessoal. Assumimos os mais variados projetos e no momento de realizarmos a tão disseminada listagem de priorização, temos a sensação que tudo é urgente e importante, que para sermos bem-sucedidos temos de dar conta de tudo ao mesmo tempo.
Outro fator que geralmente nos cobramos, é o porquê de tantas tecnologias a nosso favor e mesmo assim nos faltam habilidades para um planejamento e alocação de todos os nossos objetivos e ações, dentro dos prazos e com os resultados tão almejados.
O que percebemos é que existem fatores, muito mais profundos e no âmbito emocional, que são os reais vilões do tempo. Que a falta de auto-observação e deixar-se levar por compulsores emocionais como "Seja perfeito, você não pode errar nunca; Seja forte, você não deve delegar, faça tudo sozinho" ou então "Agrade a todos, você deve ser solícito e diligente com todos" são os reais fatores a serem investigados.
E como percebê-los, trazê-los à luz da nossa consciência?
O convite é um mergulho pelo autoconhecimento, pela autoconsciência. Primeiro investigue quais foram os principais estímulos de suas figuras parentais (pais, tios, avós, cuidadores na sua infância), o que eles comumente incentivavam que você fizesse? Como você era avaliado? Quais as mensagens de elogios ou repreensões você ouvia? O que você precisava fazer para ser elogiado? Estas são algumas das questões que poderão lhe ajudar a entender o que precisou ser e fazer para ser reconhecido.
Parafraseando Eric Berne, que em suas obras pontuou: o homem tem necessidade de estruturar o tempo com intuito de evitar a dor do tédio. Essa fome de estrutura é extensão da fome de estímulos e de reconhecimento, já que a necessidade de estímulo exige que se estabeleçam situações em que possamos trocar reconhecimento. Segundo Steiner (1996:15), fome de estrutura é o desejo de situações sociais no qual o reconhecimento, e através dele, estimulações variadas poderão ser obtidas.
Poderemos concluir que o excesso de atividades e a dificuldade de encontrarmos ferramentas ideais de planejamento têm sua causa-raiz no conjunto de autoexigências que estabelecemos para sermos aceitos e recebermos reconhecimento das pessoas que mais nos importam. Então, observe-se, o que de fato, dentro de todos objetivos e atividades que fazem parte da sua agenda diária, realmente tem significado para você, que o fará, independentemente do reconhecimento dos demais, lhe provocar a sensação que você fez tudo que vem ao encontro do que mais lhe importa? Dessa forma sua agenda diária será bem dimensionada, reduzindo os excessos e seus objetivos e resultados passam a ter chances reais de serem atingidos dentro do espaço-tempo que é concedido a todos.
Melissa Antonychyn
Professora de Gestão do Tempo do ISAE Escola de Negócios


