Estamos em um período que somos requeridos para realizar uma série de tarefas, seja na vida profissional, como também na vida pessoal. Assumimos os mais variados projetos e no momento de realizarmos a tão disseminada listagem de priorização, temos a sensação que tudo é urgente e importante, que para sermos bem-sucedidos temos de dar conta de tudo ao mesmo tempo.

Outro fator que geralmente nos cobramos, é o porquê de tantas tecnologias a nosso favor e mesmo assim nos faltam habilidades para um planejamento e alocação de todos os nossos objetivos e ações, dentro dos prazos e com os resultados tão almejados.

O que percebemos é que existem fatores, muito mais profundos e no âmbito emocional, que são os reais vilões do tempo. Que a falta de auto-observação e deixar-se levar por compulsores emocionais como "Seja perfeito, você não pode errar nunca; Seja forte, você não deve delegar, faça tudo sozinho" ou então "Agrade a todos, você deve ser solícito e diligente com todos" são os reais fatores a serem investigados.

E como percebê-los, trazê-los à luz da nossa consciência?

O convite é um mergulho pelo autoconhecimento, pela autoconsciência. Primeiro investigue quais foram os principais estímulos de suas figuras parentais (pais, tios, avós, cuidadores na sua infância), o que eles comumente incentivavam que você fizesse? Como você era avaliado? Quais as mensagens de elogios ou repreensões você ouvia? O que você precisava fazer para ser elogiado? Estas são algumas das questões que poderão lhe ajudar a entender o que precisou ser e fazer para ser reconhecido.

Parafraseando Eric Berne, que em suas obras pontuou: o homem tem necessidade de estruturar o tempo com intuito de evitar a dor do tédio. Essa fome de estrutura é extensão da fome de estímulos e de reconhecimento, já que a necessidade de estímulo exige que se estabeleçam situações em que possamos trocar reconhecimento. Segundo Steiner (1996:15), fome de estrutura é o desejo de situações sociais no qual o reconhecimento, e através dele, estimulações variadas poderão ser obtidas.

Poderemos concluir que o excesso de atividades e a dificuldade de encontrarmos ferramentas ideais de planejamento têm sua causa-raiz no conjunto de autoexigências que estabelecemos para sermos aceitos e recebermos reconhecimento das pessoas que mais nos importam. Então, observe-se, o que de fato, dentro de todos objetivos e atividades que fazem parte da sua agenda diária, realmente tem significado para você, que o fará, independentemente do reconhecimento dos demais, lhe provocar a sensação que você fez tudo que vem ao encontro do que mais lhe importa? Dessa forma sua agenda diária será bem dimensionada, reduzindo os excessos e seus objetivos e resultados passam a ter chances reais de serem atingidos dentro do espaço-tempo que é concedido a todos.

Melissa Antonychyn
Professora de Gestão do Tempo do ISAE Escola de Negócios

mockup