Sonho nem sempre doce
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sexta-feira, 17 de agosto de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

O assunto se espalhou: está em programas de TV, canais do YouTube, livros, aplicativos para smartphone. A popularização da confeitaria fez com que novos interessados e até antigas paixões se manifestassem para entrar de vez no universo dos doces. Mas há que se dizer, a carreira não é tão glamourosa quanto parece. É preciso dedicação e muito conhecimento técnico para se aventurar em uma profissão que nem sempre é doce.
"A confeitaria é muito precisa, errar a receita é muito fácil, então, para criar coisas novas é necessário ter muita técnica", explica a instrutora de confeitaria do Senac Londrina, Carol Rocha. Ela diz que técnica e paixão são o que move a confeitaria, mas elenca também a dedicação. "Você trabalha enquanto os outros estão festejando, curtindo, deixa de ir a festas e jantares para trabalhar com as suas encomendas. A profissão é bastante desgastante, mas se você ama o que faz, se sente realizado", defende.
Horas em pé, rotina intensa, finais de semana dedicados ao trabalho e concorrência desleal foram apontados pela instrutora como pontos negativos da profissão, mas indica que o trabalho permite fazer parte do sonho das pessoas, de um momento feliz, possibilita trabalhar na própria casa, programar os horários e, se levado a sério, ganhar mais do que um emprego fixo.
Para isso, não é necessária formação, mas Rocha afirma que o conhecimento, hoje, é uma exigência natural do mercado. "Nós temos muitas boleiras tradicionais na cidade, porque elas foram muito guerreiras, aprendendo no dia a dia, mas hoje o profissional precisa se qualificar. Tudo é mais acessível, temos cursos na região, livros, produtos, ingredientes", explica. Os estudos podem ser de curta duração ou mais extensos, também é possível fazer curso básico e acrescentar módulos em área específica. No final, é preciso, no mínimo, manipular os principais ingredientes da confeitaria: farinha, ovo, manteiga e açúcar.
Como a profissão nem sempre é valorizada - as novas referências dos programas de TV e internet estão mudando isso -, muitos investem no negócio próprio. Por isso, alguns cursos incluem aulas teóricas e práticas de cálculo, comunicação e vendas para que os profissionais passem a entender o valor de seus produtos. "Minha missão é desenvolver a autocrítica e autoconfiança em meus alunos para que a profissão se valorize cada vez mais. Assim, será cobrado o justo e se minimiza uma prostituição do mercado", argumenta a instrutora.
Para os que desejam trabalhar com carteira assinada, os estabelecimentos têm mudado sua postura na contratação de profissionais cada vez mais qualificados e as vagas vão desde confeitaria e restaurantes a hotéis e buffets. "Antes, o pessoal procurava a confeitaria por falta de opção, hoje não. Quem vai é porque ama e as empresas estão procurando esse perfil", indica Rocha. No entanto, os salários ainda não são atrativos.
A instrutora, que já participou do programa Que Seja Doce, do GNT, encontrou um nicho ainda maior. Depois de 10 anos de carreira, com formação em gastronomia e cursos específicos de confeitaria, entrou na área da docência, além de promover consultoria e cursos on-line. A forma de contribuição bate com o que ela acredita. "A confeitaria é colaborativa, não tem que esconder receita, temos que nos ajudar, compartilhar, não existe cozinha sozinha."


