Sob a luz da lua
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sexta-feira, 04 de maio de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
"Luiz!", grita uma jovem com bandeja nas mãos. Luiz não se manifesta. Ela caminha entre as mesas e entoa na outra ponta: "Luiz!". Todos queriam ser Luiz naquela hora. A Feira da Lua do estacionamento do Zerão é um dos locais mais democráticos para se provar pratos típicos, tradições e culturas. Da criança ao idoso, do paletó ao chinelo e bermuda, toda gente cabe lá.
"Luiz!", gritou longe e Luiz finalmente apareceu, levantou o braço assustado e sorriu quando sua bandeja chegou à mesa. O prato vinha de uma barraca de comida oriental. Na mesma feira, a barraca de Mauro Ito, 50, oferece também comida típica japonesa, onde o forte é o tempurá, prato feito com camarão e legumes empanados e fritos.

"Eu era agricultor e em 1994 eu vi a oportunidade que apareceu. Na época era uma novidade, hoje a Feira da Lua é tradição", afirma. Para conquistar os clientes, Ito adaptou a receita original. "O tempurá de legumes com camarão é 80% brasileiro", afirma. Com receita diferente, acredita que seu produto tira do tradicional para diversificar a feira.
Mas não é preciso ir muito longe para provar um prato típico. Sair do Japão e cair no nordeste brasileiro só é possível com a banca da Rosicleide dos Santos Oliveira, 48. Acarajé, baião de dois, tapioca são os mais pedidos. "Eu sou da Paraíba e estou morando aqui há 23 anos. Comecei trabalhando na festa nordestina e acho que o pessoal tinha um pouco de preconceito, mas insisti. Só depois de 3 anos trabalhando na feira que senti confiança na barraca", relata.

Mais que paladar, é cultura, tradição. "Eu acho importante compartilhar, é uma forma de não perder minhas origens também", afirma. Depois de 14 anos trabalhando com os produtos, Oliveira pode afirmar que hoje a sua banca agrada a nordestinos e paranaenses, demonstrando o poder de união que o alimento tem. Girando uma tapioca na frigideira, leva com bom humor a profissão e orgulha-se de seu trabalho.
Diferente dos pratos típicos, tem também as barracas de ingrediente específico. A de milho oferece pamonha, sopa, suco, curau, canjiquinha e bolo. "Minha esposa e eu começamos a vender pamonha na rua para sair do nosso trabalho na época. Um cliente falou da Feira da Lua e nós apostamos. Agora faz 16 anos que estamos aqui", orgulha-se Ramatis Vargas, 58.

Tanto tempo trabalhando com milho, ainda é possível ver o feirante provando seu prato ao fundo da barraca. Da mesma forma, possui clientes fieis que sempre vão à feira, seja para degustar no local ou levar para casa. "Tenho cliente que mudou de cidade e quando vem a Londrina acaba passando aqui. Tem cliente que eu vi na barriga da mãe e hoje já vem sozinho com os amigos", relata.
No Zerão, as feiras são realizadas no período da noite às quartas-feiras. No entanto, Londrina possui outras cinco espalhadas por diversas regiões. De terça a sábado é possível comer bem pagando menos, seja por um pastel, espetinho e churros, seja por pratos típicos, como comida italiana, portuguesa e chinesa. O paladar é a gosto do freguês.


