Para combater as informações falsas nada melhor do que contrapor a verdade e ensinar as pessoas a buscarem as informações corretas. Em tempos de redes sociais, onde as informações são propagadas milhares de vezes ao dia, de forma quase instantânea, cresce a preocupação em separar a verdade da mentira. Cada rede social tem buscado suas formas de combater as fake news.

O Facebook, por exemplo, lançou um programa de combate às informações falsas. Em parceria com as agências de fact checking "Aos Fatos" e "Agência Lupa", o projeto tem o objetivo de avaliar os fatos denunciados como não verdadeiros pelos usuários da rede. Constatada a falsidade, essas postagens devem ter sua distribuição diminuída e não poderão ser impulsionadas na rede.

Mas o que é fact checking? Cristina Tardáguila, diretora da Agência Lupa, a primeira agência de notícias do Brasil a se especializar na técnica, explica que a checagem dos fatos não é nada mais do que o "bom e velho jornalismo". O processo consiste em ouvir uma informação e ver se tem algum embasamento em banco de dados públicos.

"O fact checking começou nos Estados Unidos, na CNN, nos anos 1990, na época em que George W. Bush, o pai, tentava a reeleição. De lá para cá se expandiu e hoje são 250 plataformas em mais de 50 países", explica. Criada em 2015, a Lupa conta hoje com 15 jornalistas, a maioria especialista em dados, segundo ela. Além de fazer checagem para o Facebook, a empresa também produz material que é divulgado em seu site e vendido para outros veículos e trabalha com a formação de outros checadores, através da Lupa Educação.

Imagem ilustrativa da imagem Separando o joio do trigo



METODOLOGIA
Segundo Tardáguila, só são considerados "checáveis" números e dados históricos, comparações - "cidade A tem mais roubos que cidade B" - e legalidades - "é proibido abortar no Brasil". Já opiniões, conceitos amplos como "maior crise da história" e conceitos futuros não são.

Depois de decidir qual frase será checada, um repórter da Lupa faz o levantamento do que já foi publicado sobre o assunto. Consulta jornais, revistas e sites e depois busca os dados oficiais e informações públicas referentes ao assunto. Se necessário, pode recorrer à Leis de Acesso à Informação e/ou às assessorias de imprensa, além de ir a campo para apuração. Se necessário também são consultados especialistas. Por fim, solicita a posição oficial de quem está sendo checado.

Baseado na análise a informação checada recebe uma etiqueta (leia mais nesta edição) que vai de "verdadeiro" a "falso", com algumas variáveis. Essa etiqueta é escolhida pelo repórter e aprovada por dois editores.

Além disso, a agência integra a International Fact-Checking Network (IFCN), rede mundial de checadores, e segue o código de conduta e princípios éticos do grupo, que estabelece "o compromisso com checagens justas e não-partidárias; transparência das fontes; transparência relativa ao financiamento e à organização; transparência relativa à metodologia de trabalho e correções abertas e honestas". "Sempre perguntam quem checa o checador. É o leitor, por isso deixamos claro de onde pegamos as informações", diz ela.

ATAQUES
Mesmo com toda a transparência, checadores da Lupa e de outras agências sofreram ataques, aponta Tardáguila. "É muito duro receber ameaças de morte. Ver o seu Facebook e Twitter possuídos pelo ódio alheio. Em menos de 20 dias fomos atacados com o mesmo grau pela extrema esquerda e extrema direita. Quando os extremos não querem ter suas falhas apontadas, aí sim temos que continuar nosso trabalho. Todo dia é dia de ódio, todo dia querem te enquadrar em algum lugar e as pessoas ficam com raiva quando você não cabe em uma gaveta. Você olha e vê as mesmas ofensas."

A jornalista diz que os posts com mais repercussão costumam ser os que envolvem políticos. "Alguns deles passaram a usar dados corretos depois que fizemos a checagem e já recebemos a resposta do outro lado dizendo que a Lupa está certa. Fora esses, o terço do Papa (que supostamente teria sido enviado ao ex-presidente Lula) e a megacefalia também tiveram muita repercussão", aponta.

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