Imagem ilustrativa da imagem Sem estresse para administrar a agenda
| Foto: Marcos Zanutto
"Acho minha vida meio complicada, mas consigo cumprir os prazos, faço um cronograma, faço o que está mais perto", ensina Clodomiro Bannwart. Veja suas dicas em vídeo usando aplicativo de realidade aumentada



Formado em filosofia e direito, com diversas atividades acadêmicas em ambas as áreas, palestras, textos para escrever, orientandos e atividades da rotina familiar, o professor Clodomiro Bannwart conta que busca fazer um cronograma de suas atividades e vai administrando-o conforme as datas vão se aproximando, sem sofrer por antecipação. Isso depois de ter problemas de saúde decorrentes de uma crise de estresse, há cerca de quatro anos.

"O ser humano tem uma estrutura lógica na forma de pensar e dialética na forma de agir. Temos que programar nosso agir conforme o que acontece, é uma gestão permanente do caos. Gosto muito da ideia do GPS, temos de estar nos reposicionando constantemente, em função do propósito da vida. Às vezes encontro tempo para escrever quando minha filha dorme, depois das 10 horas da noite. Acho minha vida meio complicada, você vai tocando e vendo no que dá. Mas consigo cumprir os prazos, faço um cronograma, faço o que está mais perto. Não gasto energia com uma palestra que vou dar daqui a 20 dias, vou fazer isso uns três dias antes. Isso me ajuda mentalmente, me concentro no que é prioritário agora, no que demanda energia e tempo nesse momento. Às vezes você tem um compromisso e fica sofrendo de forma antecipada, e de um tempo para cá, depois desse pico de estresse, venho trabalhando nessa perspectiva. Não sei se está certo ou errado, mas me ajuda muito", ensina.

Bannwart diz que também procura ser mais seletivo, assumindo menos atividades, facilitando a organização do tempo. E lembra que a maneira como nossa sociedade está estruturada hoje nos impõe uma produtividade acelerada.

"O que de certa forma afeta nosso psicológico porque temos a sensação de que o tempo passa rápido, mas não é que ele passa rápido, é a quantidade de coisas que a gente assume e que não consegue dar conta dentro das 24hs. Vivemos em uma época que nega o ócio, é o negócio - negando o ócio para fazer a máquina do sistema girar. É uma máquina altamente produtiva, que não permite a contemplação do ócio. Negócio vem daí, negar o ócio. E a gente bate no peito quando nega o ócio, quase como uma virtude. A pessoa chega na sexta-feira e diz que teve uma semana tranquila, que aproveitou? Ela não vai ter o reconhecimento social da mesma forma que a outra que produziu exaustivamente, que está cansada. O nosso sistema produtivo é muito acelerado, então ele exige um excesso de tudo: consumo, produção, cuidar do corpo. Fazemos tudo de forma excessiva."

Para organizar sua rotina, Bannwart afirma não usar aplicativos e também tenta não usar uma agenda, guardando os compromissos na memória. "Vejo o compromisso, fixo isso. Não sei se é bom ou ruim, mas acho que é uma forma de reter as informações na sua cabeça. Acho isso prático em sala de aula porque quanto mais você faz apontamentos para preparar uma aula, mais errado vai dar. Quanto mais você tem só pontos que forçam a fazer conexão, eu consigo expor melhor. Mas cada um tem um estilo, é preciso saber gerir o acaso", aponta.

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