Sala de aula atenta

Um dos momentos mais tensos na vida dos jovens, sem dúvidas, é o vestibular. Lidar com a ansiedade dos alunos e motivá-los para estudar, mesmo que o curso tenha uma grande concorrência, é o papel dos professores do ensino médio e principalmente do cursinho.
Com 16 anos de experiência, o professor de História Thiago Paes há 13 anos trabalha com esse público. "Os alunos de outras séries precisam das notas e da presença, e isso os traz para a sala de aula. Já o aluno de cursinho precisa ser motivado pela aula porque ele não tem notas, não tem reprovação. E tem aqueles que vão para a aula à noite, depois do trabalho. Sabemos que ele está sem banho, muitas vezes sem jantar. Se não soubermos motivar esse aluno, todo mundo perde", aponta.
Trabalhando atualmente em seis escolas, Paes calcula ter em média cinco mil alunos. Popular entre eles, é frequentemente homenageado nas festas de formatura. O sucesso entre os alunos ele atribui ao modo de trabalhar e de lidar com a ansiedade.
O professor conta que atualmente o vestibular está diferente. "Hoje não é mais macete, aquelas musiquinhas para decorar fórmula. O aluno precisa relacionar o conteúdo com outras coisas. A ideia é contextualizar a matéria, trazendo para o dia a dia do aluno. Acho que o bom humor também é importante", diz.
O professor conta que a reprovação dos alunos nas universidades é um dos momentos mais difíceis. Neste ano o resultado da primeira fase do vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) saiu justamente na semana que antecedia o Enem e foi preciso muito tato para motivar os alunos que não foram aprovados. "Ficamos tão magoados quanto o aluno, pois queremos que ele passe. E quando ele vê que foi reprovado na primeira fase, com o Enem sendo a sua única chance, é preciso motivá-lo mais do que nunca."
Paes conta que entre as coisas que o motivam está o retorno dos alunos e também gostar do que faz. "O conteúdo é o mesmo, mas os alunos são diferentes. Estudo todos os dias e sempre acho que preciso ser melhor. Pena que o professor no Brasil ainda seja tão desvalorizado". (E.G)





