Rotina flex
Psicóloga indica que pais sejam mais flexíveis com regras nas férias e que orientação deve ser passada aos cuidadores
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de julho de 2019
Psicóloga indica que pais sejam mais flexíveis com regras nas férias e que orientação deve ser passada aos cuidadores
Laís Taine - Grupo Folha
As férias de julho são uma pausa importante para as crianças. Mas enquanto elas aguardam ansiosas o momento de descanso e descontração, fica a tarefa para os pais de encontrar uma pessoa de confiança para ficar com os filhos. Nessa relação entre pais e cuidadores, psicóloga indica flexibilidade de regras e mais liberdade aos filhos em período de férias.
Cumprir regras é fundamental para a boa convivência social e por isso é importante que as crianças adquiram essa capacidade. Ao mesmo tempo, a psicóloga Ana Paranzini aponta algumas questões quando se fala da relação com o cuidador. “Não tem como os pais exigirem que outra pessoa cumpra regra com a criança tal qual eles fariam, não por se tratar de um favor que estão fazendo, mas no sentido de que a pessoa vai ter uma interação diferente. Essa pessoa não tem o objetivo de educar, mas de ter o cuidado”, afirma.
As regras essenciais devem ser pontuadas, como a de só comer doce após o almoço, porém, é preciso afrouxar um pouco também. “Poder dormir até mais tarde, ficar de pijama por mais tempo, isso é legal para descaracterizar a rotina, ter essa sensação de descanso”, indica ela, que ressalta a importância do ócio nas férias. Ela também afirma que quando as regras são combinadas - e não impostas -, é mais fácil a criança aderir.
BURLAR
Vovós e vovôs gostam de mimar os netos, mas podem deixar fazer tudo o que quiser? “Se os pais forem muito rígidos com essas condições, os avós vão burlar e deixar fazer mesmo assim, às vezes escondidos, por isso é preciso flexibilizar. Pode tomar café na cama? Pode, mas deixar de recolher o prato só porque está de férias, não”, aponta. Regras que afetam valores morais e éticos não entram na flexibilização.
AUTORIDADE
A figura do cuidador também precisa ter autoridade para que as negociações e o respeito sejam estabelecidos. “O responsável por cuidar precisa receber essa autoridade dos pais, que devem instruí-los sobre o que deve ser feito caso a criança não cumpra o combinado. A criança precisa dessa figura de autoridade, porque é o que vai trazer segurança para ela de que alguém está ali para cuidar e que ela não pode fazer o que ela quiser”, argumenta.
PARTICIPAÇÃO
A compreensão de que esse é um momento de descanso facilita na hora de saber o que pode ser alterado na rotina. “É importante participar e perguntar: 'o que você gostaria de fazer?' Se colocar no lugar da criança, 'como eu gosto que sejam as minhas férias?' Isso ajuda bastante a estabelecer prioridades”, indica a psicóloga, ressaltando a importância de dar voz à criança sem receio.
Paranzini também afirma que dormir até mais tarde é um desejo comum tanto para crianças quanto para adultos, assim como os pequenos acham o máximo ir dormir mais tarde, o que pode ser uma possibilidade nesse período. “Pode, até 4h da manhã? Não, até meia noite. Flexibilizar não significa deixar sem nada.”
O importante é compreender que esse é um período característico de momentos de lazer, diferente e especial, portanto, é normal quebrar algumas regras com o respeito pelo momento do filho. “É importante essa sensibilidade às crianças de entender que é um período de descanso, porque as crianças também cansam de suas atividades escolares”, finaliza.
MAIS:
- Buscando o equilíbrio entre crianças e condôminos