Durante as férias, Matheus, 11, costuma passar alguns momentos no trabalho com a mãe,  Lisiane de Freitas
Durante as férias, Matheus, 11, costuma passar alguns momentos no trabalho com a mãe, Lisiane de Freitas | Foto: Lais Taine

“É porque eu queria ficar com a minha mãe”, responde Matheus Rocha, 11, sobre a escolha de passar um dia das férias no trabalho da mãe. A professora universitária Lisiane de Freitas, 42, conta com uma rede de apoio durante o recesso escolar do filho. Apesar de revezar entre casa da avó, trabalho do avô, tios e o próprio trabalho, tenta tornar o período mais prazeroso para o filho dando liberdade de escolha e colocando menos regras.

Coincidir a pausa do trabalho com as férias escolares é uma raridade. Em uma família de duas pessoas (mãe e filho), foi preciso pedir ajuda. “Um dia ele fica na casa da avó, outro dia vai trabalhar com o avô, passa um tempo na casa do meu irmão, em Ponta Grossa, e alguns dias eu trago ele para o trabalho”, revela.

Crescido dentro do ambiente de trabalho da mãe, Matheus conhece as regras do local, as obedece, e mesmo assim se diverte. “Eu gosto de vir aqui”, comenta. Para a mãe, a escolha se deve ao fato da expectativa gerada pelas crianças. “Eles ficam mais na escola e menos com os pais, então a criança cria expectativa de que quando ela entrar em férias, vai ter mais esse contato conosco. Eu pergunto para ele o que ele quer fazer e, às vezes, ele opta em ficar comigo, ainda que seja no meu trabalho”, explica. O que não foi problema, pois Matheus encontrou formas de diversão, conversa com as mulheres da cozinha, aproveita para saborear algum quitute e aprender coisas novas. “Elas ensinaram crochê para ele, ele fez aquele amigurumi”, ri junto com o filho.

Freitas sabe que pode contar com a compreensão no trabalho, mas procura evitar. Para ela, o revezamento foi o modelo mais saudável para ambos os lados. “Eu procuro não abusar dos meus pais, porque eu entendo que eles já criaram os filhos deles, então não deixo os 15 dias (das férias) na casa da minha mãe, ele vai quando sente vontade, saudade, quer brincar e eu também respeito os compromissos dela”, afirma Freitas, sabendo que é um privilégio poder contar com a segurança da família.

RESPEITO

No início, as colônias de férias eram boas alternativas, mas conforme Matheus crescia, esse tipo de atividade foi perdendo a graça. “Eu e ele percebemos. Ele gosta muito de brincar, de aproveitar as férias, de ir para o quintal da minha mãe jogar bola, andar de bicicleta...”, afirma.

Nessa forma de distribuir o cuidado, encontrou o respeito com os cuidadores e com o filho também. “Eu respeito muito o que o Matheus quer. Então, eu sempre combino no dia anterior: 'amanhã você quer ficar onde'?”, menciona. É dar a voz à criança, tornar as férias um período em que se tenha mais liberdade. “Nesse período eu nem procuro dar regras. Ele vai para a casa do tio e lá é chips, salgadinhos (ri), mas ele mesmo já tem essa consciência do que deve comer e o que é mais saudável”, comenta sobre a flexibilidade.

Nesse ponto, Freitas deixa tudo mais livre com regras menos rígidas para dar essa tranquilidade e momento de descanso ao filho e também criar um momento de prazer entre os cuidadores. “Ajuda familiar é essencial e é salutar para a criança também, que já cria uma referência. É importante ressaltar que isso não seja abusivo, entendo que eles (os cuidadores) não tenham essa obrigação, tem que ser por vontade deles também”, finaliza.

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