'Resolvi sair da zona de conforto'

A professora Daniela Almeida costumava viajar sempre com as amigas. Porém, quando uma delas começou a namorar e desistiu das viagens entre meninas, ela resolveu se aventurar sozinha e não parou mais. Bariloche, Grécia, Turquia, Amsterdã e Itália foram alguns dos locais que ela visitou sem companhia.
"Eu já tinha feito alguns passeios sozinha, como em 2008 quando fui visitar amigos em Portugal e fui sozinha para Madri, mas nesse caso a gente tem um apoio, alguém para ligar se acontecer algo, você tem momentos sozinha apenas. Nas outras viagens não, eu fiz todo o roteiro, pesquisei passagens, hospedagem e fui, como no caso da viagem de três semanas que fiz para conhecer a Grécia, Turquia e Itália em 2016. Resolvi sair da minha zona de conforto e me virar com o meu inglês."
Ela conta que entre todos os destinos, sentiu mais dificuldades na Turquia, onde o assédio foi bastante intenso e teve problemas com um taxista, que cobrou um valor absurdo por uma corrida e a deixou longe do endereço que ela deveria descer. "Os turcos acham que podem nos abordar em qualquer lugar. Eu sabia que existiria um certo assédio para comprarmos as coisas, que as pessoas têm o hábito de negociar o preço, mas não achei que essas abordagens iam tomar outro rumo. E eles fazem isso naturalmente, não acham que estão te ofendendo", diz indignada.

Na Europa também enfrentou alguns questionamentos na imigração dos aeroportos, que perguntavam porque ela estava viajando sozinha e se não havia um marido para acompanhá-la. "Na Argentina e em Madri eu percebi um tratamento bastante machista, principalmente nos bares e restaurantes. Em um local que eu já tinha frequentado com uma amiga vi que o tratamento foi diferente por eu estar sozinha."
Apesar disso, Almeida conta que viajar sozinha é sua opção, justamente pela sensação de liberdade e por não precisar negociar com outra pessoa o que fazer. Adepta de viajar gastando pouco, ela opta por ficar em hostels, onde pode também fazer amizades.
"Procuro quartos femininos, mas se não é possível fico em quarto misto, nunca tive problemas. No hostel você pode pegar várias dicas de passeios com os recepcionistas e contratar passeios. Também já aluguei quarto pelo Airbnb, as pessoas acolhem bem, trocamos informações. Uma das anfitriãs inclusive já tinha viajado sozinha e me deu várias dicas. Sou adepta do uso do transporte público, o que ajuda a economizar", diz.
Para amenizar a saudade dos amigos e parentes ela usa as redes sociais, que também servem para que saibam por onde ela está passando. "Agora com o smartphone é mais fácil, mas prefiro não comprar um chip local para não ficar tão on-line. Meu próximo destino será a Dinamarca, estou me programando para isso. Quem sabe em 2019?" (E.G)





