Reinventando o bordado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de setembro de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 

Jovem e com visual moderno, a artesã Laylla Zanin certamente destoa da primeira imagem que possam fazer dela quando veem seu trabalho: delicadas peças bordadas à mão. "As pessoas se surpreendem quando descobrem que sou eu que bordo, por causa da idade, das tatuagens", confirma.
Formada em Artes Visuais, o contato com o bordado surgiu ainda na infância, na forma do ponto cruz, um ponto específico do bordado. Já o bordado livre, a técnica que ela usa atualmente, só surgiu em 2016. Ela conta que aprendeu sozinha e depois buscou cursos para aprimorar a técnica. "Na minha família ninguém borda, mas desde criança eu mexia com trabalhos manuais. Não houve um motivo especial por eu ter escolhido essa técnica mas foi onde me encontrei", explica, acrescentando que em seu trabalho aplica algo tradicional em peças modernas.
A artesã começou fazendo pequenos quadros usando bastidores, enquanto produzia para si acessórios. Com o tempo os amigos começaram a pedir, ela percebeu que o retorno era maior e decidiu mudar seu foco. Hoje produz brincos, pulseiras, colares, chaveiros, bótons e outras peças pequenas usando o bordado e pequenos bastidores. Além de participar de feiras, ela também tem uma conta no Instagram, por onde busca mostrar seu processo de produção.
"Levo em média uns 40 minutos para bordar cada desenho. Depois tem o processo de montar a peça, algumas molduras precisam ser pintadas. Tudo isso é mostrado em meu Instagram, talvez por isso meus clientes não costumam questionar o valor do meu trabalho. Na verdade, eles ficam surpresos quando descobrem que a peça foi bordada à mão. Investi em peças pequenas justamente para conseguir vender com valor mais acessível, diferente de um quadrinho que exige mais tempo para ficar pronto. Agora só faço peças maiores sob encomenda", diz ela.
Entre os pedidos que mais encantam os clientes, os pets são campeões. "Realmente são desenhos que dão muito trabalho, porque precisa fazer pelinho por pelinho, mas as pessoas ficam encantadas!"

TERAPIA
Assumidamente ansiosa, Zanin conta que consegue passar horas bordando e precisa até se policiar para não trabalhar madrugada adentro. Também procura se exercitar, já que passa muito tempo sentada.
Há quase dois anos a artesã deixou de dar aulas e passou a investir todo seu tempo no bordado, que se transformou em sua fonte de renda. "O processo de criação é tão importante quanto o resultado final. Percebo que o bordado é um tipo de trabalho em alta, está em todos os lugares, com temas contemporâneos" diz a artista, que também ministra oficinas e dá aulas particulares, onde ensina os pontos básicos, para que cada aluno possa criar suas próprias peças.


