"Ensino pratos fáceis e baratos, que elas possam produzir em casa e vender, para terem uma renda extra", diz Eva Márcia Konno que encontrou no voluntariado uma nova rotina de vida
"Ensino pratos fáceis e baratos, que elas possam produzir em casa e vender, para terem uma renda extra", diz Eva Márcia Konno que encontrou no voluntariado uma nova rotina de vida | Foto: Saulo Ohara


Depois de 35 anos trabalhando em um cartório, a culinarista Eva Márcia Konno se aposentou e, sem planos futuros, acabou entrando em depressão depois de um ano em casa. Por sugestão da família foi cursar a faculdade de gastronomia e nesse período conheceu a Associação Água Pura, entidade ligada à 1ª Igreja Presbiteriana Independente de Londrina, que presta atendimento a dependentes químicos e seus familiares.

"Minha filha já era voluntária lá e há três anos comecei a dar aulas de culinária para as mulheres dependentes ou cujos familiares são atendidos. Todas as quartas-feiras dedico minhas tardes para elas. Ensino pratos fáceis e baratos, que elas possam produzir em casa e vender, para terem uma renda extra. Algumas são mulheres em situação de risco, com parentes presos, viciados, algumas vítimas de violência doméstica", conta.

São entre 12 e 15 pessoas que, além de receitas de pães, bolos e salgados, inclusive com o reaproveitamento de alimentos, aprendem boas práticas de alimentação, com a adequada preparação do ambiente e higienização dos alimentos, noções de custo e precificação, além de noções de como administrar os valores recebidos.

"Digo que elas precisam reservar parte do valor da venda para investir em novos ingredientes, que não podem vender fiado, como devem cobrar se vendem apenas um salgado ou uma bandeja com mais unidades. Se ela tem dez reais e um filho com fome, não vai deixar de comprar comida, mas guarda três (reais) desses dez para poder comprar farinha e fermento e fazer um pão no dia seguinte."

Mais do que repartir seu conhecimento, Konno também distribui carinho e compreensão, além de abraços. Ela conta que já teve aluna que faltou na aula por ter sido agredida pelo companheiro, por exemplo, e precisou aprender a lidar com diversas situações. "Tem gente que diz que não nasceu para isso, mas a gente vai aprendendo. É preciso escutar, orientar. Quero ensinar que há um caminho diferente", justifica.

Nas férias as crianças também participam das aulas junto com as mães e não ficam sem atenção. Carinhosamente Konno prepara aulas que chama de "culinária kids", para que os pequenos se mantenham ocupados e também aprendam algo. Segundo ela, algumas mulheres relatam que já estão vendendo pães e bolos que aprenderam a fazer no curso.

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