Receber conteúdo falso é comum
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Embora as discussões acerca das fake news (ou desinformação) estejam cada vez mais ascendentes, muitas pessoas ainda desconhecem ou sabem pouco sobre o termo. Seja por preguiça ou desconhecimento do uso da ferramenta, averiguar a veracidade de uma notícia ainda não é o costume de grande parte da população. A reportagem da FOLHA saiu às ruas para ouvir usuários de redes sociais, que confessaram já ter compartilhado informações antes de checarem os fatos.
"Uma vez eu compartilhei e me falaram que era falso, então eu apaguei", conta Edenilce Rodrigues, 39. A diarista afirma que recebe constantemente notícias sobre morte de famosos e que nessa ela não cai mais. "Eu não acredito mais, muitas vezes eu leio e deixo para lá. Se for verdade, vai passar na TV, porque não tem como saber. Tem gente que é craque em investigar, eu não", revela.

Angela Gomes, 58, pede ajuda para as filhas quando desconfia de alguma informação. "Eu não sei pesquisar, então eu pergunto. Elas sabem mais, tem mais tempo de uso, então conseguem pesquisar", afirma. As mensagens de sequestro são comuns nas redes da diarista que, por medo, acaba não enviando. "Nem compartilho mais, tenho medo de ser mentira", afirma.
Comparando as falsidades a golpes, Joaquim Márcio Salviano, 64, recorda quando recebeu ligações sobre sequestro de um parente ou alguém pedindo ajuda. Agora, o aposentado recebe mensagens de liquidações e promoções no celular. "Eu pesquiso primeiro, eu vejo se tem outro site com a mesma informação. Uma vez descobri que uma promoção de relógio era mentira", afirma.

Apesar de não conhecer o termo "fake news", Salviano sabe que elas existem e agora pesquisa sobre tudo. "Político mesmo, um fala mal do outro puxando a sardinha para si, inventam conversa, então tem que pesquisar para ver se é mesmo ou não. Agora eu pesquiso e todo mundo tem que fazer isso antes de votar", orienta.
Cíntia Araújo Romero, 31, afirma não saber muito sobre fake news, mas afirma receber informações falsas no celular. "Principalmente produtos que prometem emagrecer. Até pelas fotos dá para ver que é falso, eu observo bastante. Se eu vejo algo semelhante no Facebook, marco como spam", declara.

A camareira afirma que raramente compartilha notícias e quando vê algo estranho avisa a pessoa que publicou. "Eu falo para prestar atenção. Normalmente, a pessoa não acha ruim não, fica até curiosa", revela. Acostumada com as mensagens, Romero evita de ficar clicando nos links que não conhece. "Tem muito vírus também, então agora nem abro mais, não perco meu tempo", finaliza.
Para perceber quando uma notícia é falsa, Ariane Assis, 32, conta com a ajuda de outras pessoas que comentam sobre o assunto. "Não chego a perguntar, mas as pessoas falam que é mentira, então eu tiro do ar", explica. Acostumada com tanta desinformação na rede, a música afirma que não se interessa mais pelas notícias. "Vejo foto e legenda, eu nem abro mais, muito menos compartilho, simplesmente ignoro", afirma.


