“Tem aquela rotina de acordar cedo ou de madrugada, dar banho, trocar, mas quando vê sorrindo, não tem coisa melhor”, orgulha-se Renan Leal, pai da Sofia
“Tem aquela rotina de acordar cedo ou de madrugada, dar banho, trocar, mas quando vê sorrindo, não tem coisa melhor”, orgulha-se Renan Leal, pai da Sofia | Foto: Gabi Gouvea/Divulgação

“Apesar de estar sempre viajando, os momentos que a gente tinha com meu pai eram muito importantes”, recorda Renan Leal, 32, pai de Sofia, 10 meses. Seu pai, Reginaldo Cesar Leal, 57, foi representante comercial e por isso trabalhava viajando, o que não o impediu de educar os filhos e proporcionar bons momentos. Atualmente, Renan tem o desafio de replicar os ensinamentos e reformular a educação para os novos tempos.

A primeira diferença é a oportunidade de ficar mais tempo com a filha. “Me vejo privilegiado por ser autônomo, tenho mais flexibilidade para estar com a minha filha, porque ser pai demanda muita dedicação e abdicação”, comenta o designer. Com isso, busca em suas referências o que pode se encaixar nos novos tempos. “Ser pai é saber da sua responsabilidade, dos deveres que você tem para poder orientar o melhor possível seu filho para que ele seja uma pessoa que tenha valores. É um pouco daquilo que você é, passar o que a gente aprendeu e até melhorar”, comenta.

Dentro disso, Renan valoriza muito o que aprendeu com o pai. “A principal questão são os valores, e isso é uma coisa que eu tenho muito apreço pelo que meus pais me ensinaram. Até com relação de dar oportunidade de estudar, essa questão da educação a gente também tem bastante cuidado. E essa proximidade também, porque percebo que logo depois que meu pai voltou a trabalhar sem viajar, a gente passou a ficar mais juntos”, recorda.

GERAÇÃO

O designer também entende que é preciso se adaptar aos novos tempos. Quando os pais e avós educavam seus filhos, a mentalidade e a sociedade eram diferentes. “Meu pai era preocupado com essa questão de ser provedor, não que ele não quisesse estar comigo, ele trabalhava viajando, mas quando estava aqui com a gente não tenho nem o que falar, foi um paizão”, orgulha-se.

Agora, com a sociedade em transição e o desejo de paternidade ativa, com alta participação dos homens na casa e na relação com a família, percebe que é preciso fazer um equilíbrio. “Acho que estou dentro desses pais modernos, porque eu adquiri consciência da importância de ficar com a minha filha, até mesmo para que a minha esposa faça uma atividade só dela, não sei qual é o padrão de hoje com relação a isso, se estou diferente, mas eu tenho essa consciência”, comenta. Para ele, as tarefas estão mais divididas, em que homem e mulher trabalham dentro e fora de casa.

E por isso, as atividades com a Sofia são compartilhadas com a esposa, Larissa Batista Leal, 31, que também é autônoma e esporadicamente precisa viajar a trabalho. Uma inversão (em proporção menor) do que viveu os pais do designer. “Vez ou outra, ela precisa ficar uns três ou quatro dias fora e eu fico com a Sofia. Uma coisa é importante ressaltar: nós temos uma rede de apoio importante, nossos pais e irmãos nos ajudam, mas procuro não abusar e gastar as possibilidades, só peço ajuda quando preciso muito mesmo. Enquanto isso, vira e mexe, ela (filha) vai comigo no escritório”, ri da situação.

PLANEJAMENTO

Toda essa proposta de educação exigiu muito estudo e planejamento do casal. A filha foi muito esperada pelos dois e por isso a mudança na rotina foi menos chocante. “Eu sou um cara bem realista, a gente se preparou bastante na gestação, nós fomos em vários cursos, fomos bem dedicados, então já tínhamos uma expectativa de que seria difícil, mas quando chegou mesmo a nossa vez... realmente é difícil”, brinca, mas afirma que ter essa consciência de responsabilidade como pai tornou o papel da educação menos pesado.

E essa atividade na paternidade foi se desenvolvendo ao longo do tempo, tornando a rotina cada vez mais comum entre os dois. “Minha filha acorda e eu vou recepcioná-la, brinco, troco a roupa, dou a mamadeira, aí minha esposa fica com ela, a gente se ajuda, enquanto um toma café o outro troca, reveza, e assim vai”, comenta sobre a rotina, que não é simples. “Quando a criança chega é uma mudança e faz muita diferença. É bem árdua, mas traz muita alegria. Tem aquela rotina de acordar cedo ou de madrugada, dar banho, trocar, mas quando vê sorrindo, não tem coisa melhor.”

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