Sônia e Nasser Mansur com a filha Clara, 2: gravidez aos 42 anos trouxe um misto de felicidade com desespero
Sônia e Nasser Mansur com a filha Clara, 2: gravidez aos 42 anos trouxe um misto de felicidade com desespero | Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

Em algumas situações, ter jogo de cintura vai além de um comportamento momentâneo para se tornar uma habilidade exigida para a vida toda. É o caso de Sônia Mansur, 44, que apesar de ter recebido uma boa notícia, precisou adaptar toda a rotina e refazer os planos com a descoberta da gravidez após seis anos do diagnóstico da impossibilidade de ter filhos.

“Quando eu abri o exame quase infartei. Era uma gravidez de alto risco, porque era minha primeira gestação, aos 42 anos, com diabetes, nós não estávamos preparados financeiramente, tínhamos outros planos, minha casa não estava planejada para ter um bebê, então eu tive que ter muito jogo de cintura, me acalmar e acalmar meu marido”, recorda a auxiliar administrativa.

Ela e o marido, Nasser Mansur, 60, passaram por tentativas frustradas de gravidez há oito anos, mas após uma bateria de exames, os médicos disseram que não teriam chance. “Eu fiquei tranquila, pois nesses exames eu descobri que tinha diabetes e até optei, por questões de saúde, não ter filhos”, afirma.

Com essas informações, o casal passou a planejar a vida de outra forma. “Meu marido estava para aposentar, a gente iria viajar, passear mais. O quarto que era para ser de um filho, acabou virando um escritório”, ri com os planos anteriores.

REVIRAVOLTA

“Quando eu escutei o batimento cardíaco do bebê... Não sei nem explicar minha reação. Foi um misto de felicidade com desespero. A médica que estava comigo é uma amiga, não sei quem chorava mais, porque ela conhecia minha história”, recorda.

Para Sônia, os primeiros 15 dias foram de muito medo e de mudança de mentalidade. “Eu estava ciente de todos os riscos, eu sabia de tudo o que podia acontecer e isso era apavorante, mas também tive uma experiência muito particular de fé”, defende.

Medo, angústia, inexperiência. Vivenciar a maternidade pela primeira vez aos 42 anos – e de forma inesperada – a levou a uma série de comportamentos diferenciados. Desenvolver jogo de cintura, flexibilidade, sair de uma situação para outra dependeu de muita maturidade e crença de que coisas boas viriam. “Uma vez disseram que a gente só tem medo quando entrega para Deus, mas não confia. Eu fiz a minha parte e confiei. Minha filha nasceu superbem, prematura, mas foi tudo tranquilo”, afirma.

Nesse momento, os investimentos da família também mudaram. “A gente teve que segurar um pouco, a gente antes gastava mais, saía mais, comprava mais bobeiras, coisas supérfluas, até hoje a gente tem que se planejar bem, porque era um custo que a gente não previa”, afirma.

O jogo de cintura continua. Clara tem hoje 2 anos e a vida se tornou uma caixinha de surpresas cheia de adaptações que a família já tira de letra. “Cada dia é uma novidade, uma febre inesperada, uma descoberta nova para ela e para a gente”, brinca.

Mas depois de uma reviravolta na vida, qualquer nova surpresa é levada com facilidade. “Quando você tem uma experiência dessa, já fica mais sensata para algumas coisas, avalia diferente, tem outras percepções”, analisa a experiência.

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