Rebobinando o tempo
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de fevereiro de 2019
Lais Taine<br>Reportagem Local 

Nos finais de semana elas ficavam cheias e faziam parte do programa de muitas famílias. As locadoras de vídeo eram o ponto de rituais dos apaixonados por filmes. Olhar as prateleiras, escolher um título, apresentar a carteirinha e sair com a fita VHS trazia a euforia de levar uma nova história para casa. Momentos sublimes como estes foram popularizados nos anos 1990.
Sandra Padilha, 59, veio de Curitiba com a incumbência de abrir a Master Vídeo Clube em Londrina, no final da década de 1980. A loja funcionava na avenida Higienópolis e seguia o seguinte padrão: "Cadastrávamos o cliente no computador, ele recebia um número e já podia alugar os filmes que eram pagos em dinheiro ou mediante créditos. Os lançamentos tinham prazo de 24 horas para devolução, os demais seguiam tabela crescente, podendo chegar a uma semana. Os filmes deveriam ser devolvidos rebobinados, havia uma taxa caso isso não ocorresse", recorda Padilha. Mais tarde, a locadora mudou para outro ponto da avenida com o nome de Letage Vídeo.
Filmes como Esqueceram de Mim, Meu Primeiro Amor, Debi & Loide foram listados pela ex-funcionária como títulos mais procurados na década de 90, mas houve um que marcou a locadora. "O filme Máquina Mortífera eu recebi 50 cópias! Foi o meu record. Enviei 40 deles para locadoras menores, mantive no acervo 10 unidades", recorda.
O sistema funcionava bem, mas sofriam alguns problemas na devolução. "Tinha um número grande de filmes 'desaparecidos', então fiz contato com essas pessoas. Teve um cliente que simplesmente 'jogou' os filmes que estavam com ele por cima do portão, direto na porta de vidro, imagina! Mas foram raros", conta agradecendo por ter conseguido reverter tudo.
Das crianças aos adultos, as famílias iam passear nas lojas na busca por novos filmes, alguns ficavam em filas de espera. "Os dias de maior movimentação eram sextas-feiras e todo o dia de sábado. Tínhamos uma salinha especial para os filmes adultos e sala para os pequenos. A família vinha passear", menciona com saudade.
Padilha deixou de trabalhar na loja no início dos anos 1990, mas cinéfila assumida continuou frequentando outras lojas gerenciadas pelos próprios clientes que foram abrindo suas locadoras na cidade. "Tenho muita saudade daquela época. Era divertido esperar e nem era tão longa assim a espera. A locadora era o programa da época", menciona com saudosismo.


