Na dançaterapia se faz a análise do movimento, permitindo observar o que acontece com as pessoas nessa linguagem não verbal
Na dançaterapia se faz a análise do movimento, permitindo observar o que acontece com as pessoas nessa linguagem não verbal | Foto: Shutterstock



Dançar é terapêutico e terapia. Em 1940, Marian Chace, dançarina americana, aplicou sua metodologia de dançaterapia em um hospital psiquiátrico para atender pacientes em estado de choque. O modelo espalhou-se pelo mundo, outras frentes da psicologia defenderam o método e o movimento do corpo se tornou uma forma de observação e acompanhamento das questões dos indivíduos.

No Brasil, Judith Esperanza, diretora do Centro de Formação Internacional em Dançaterapia (DMT), em São Paulo, explica as diferenças na forma de aplicação. "Há linhas diferentes, a dançaterapia como uma dança criativa, de Maria Fux, e a dançamovimentoterapia, que é uma psicoterapia do movimento", afirma.

Trabalhando com a última linha citada há mais de 10 anos, a diretora afirma que nas sessões de DMT, o dançaterapeuta observa as pessoas em movimento nas sessões e, a partir disso, faz a proposta terapêutica para que elas entrem em contato com as questões que estão trazendo, verbal ou não.

Os benefícios passam pelo contato consigo mesmo e o desemaranhar de pensamentos e emoções confusas. "Não é uma análise fria, mas uma observação para saber como podemos colocar as propostas. Se tem uma pessoa com depressão e o movimento dela é mais forte, para baixo, eu observo a qualidade do movimento para me alinhar e acompanhá-la", explica.

Portanto, nas sessões, a observação é mais importante que dançar com o paciente. "A DMT tem a clareza que não existem passos coreografados, existem movimentos em que cada um se conecta. Nesse sentido, a gente observa tudo que está acontecendo em relação ao espaço, em relação consigo mesma e com o terapeuta e, a partir disso, são passadas as pautas de movimento no lugar da criatividade."

O dançaterapeuta faz a análise do movimento, permitindo observar o que acontece com as pessoas nessa linguagem não verbal. Ele orienta-se pela capacidade de compreender os gestos e expressividades de acordo com as emoções das pessoas. "Existem movimentos em que a pessoa pode estar fazendo o passo mais maravilhoso, mas é funcional, ela não está conectada ao que está acontecendo. O movimento gestual é que interessa para nós, a pessoa se conecta ao que está acontecendo, não importa o que seja: raiva, alegria, tristeza", defende.

Fora das sessões, a diretora ressalta o poder da dança. De acordo com ela, independentemente do ritmo, seja tango ou axé, quem se move sentindo a música do corpo conquista mais benefícios do que quem se movimenta somente pela repetição de passos. "Mas todas as danças são terapêuticas, porque elas mexem com teu sistema nervoso, com teu corpo, que fazem a tua persistência no aqui e agora", argumenta.

Se quem canta os males espanta, para quem dança não seria diferente. Como arte, expressão, linguagem, ação terapêutica, toda dança tem seu valor. "Elas trazem as transformações nas pessoas uma vez que elas estão se movendo em relação ao espaço, à sociedade, às suas vidas. A dança traz para você esse olhar para dentro e para fora, te traz crescimento", finaliza.

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