Aula de ritmos virou moda nas academias, conquistando um público variado
Aula de ritmos virou moda nas academias, conquistando um público variado | Foto: Marcos Zanutto



Nas escolas, nos centros, na academia, em grupos ou individual. Não dá para perder o rebolado quando o assunto é "contas a pagar". Nesse baile, dançarinos, coreógrafos, bailarinos, professores de dança dão o seu show e mantêm o espetáculo em alta. Mas fora dos palcos, nem tudo são flores. Viver de dança pode ser um sonho para muita gente, porém, entre os descompassos há que ser persistente.

Clevinho Santana, 23, deu cinco aulas no dia da entrevista à FOLHA. Formado em educação física, ele alterna a dança com a profissão de personal trainer para se manter. Além disso, possui grupo de dança para eventos e um canal no Youtube com divulgação de coreografias. Tudo para transformar o talento em profissão viável. "Comecei com 16 anos, eu já tinha visão do que eu queria. Sempre quis ser professor de dança, mas completo. Hoje falta capacitação e qualificação para muita gente", conta o dançarino, que além da graduação, faz aulas de balé clássico desde os 16.

Brincando de dança desde a infância, recorda que o seu grupo de hip hop, sem aulas ou orientação de profissional, foi campeão duas vezes no festival da cidade onde nasceu e vive, Ibiporã. O grupo era formado por 10 crianças, mas só Santana continuou insistindo. "Eu comecei a trabalhar voluntariamente no meu bairro mesmo", afirma.

Para utilizar o espaço para o ensaio, o presidente da associação de bairros insistiu que ele deveria fazer algo para as crianças da região, por isso começou a dar aulas gratuitas para quem queria dançar. "Eu estudava de manhã, dava aulas e ensaiava à noite", recorda. O dia todo fora de casa não incomodava a mãe. "Eu sou de bairro carente, filho de mãe solteira, diarista que trabalhava o dia todo fora. Ela achava que era melhor eu ficar ensaiando do que ficar na rua", afirma.

Por ser homem e envolvido com dança, sofreu preconceito. "Antigamente era só mulher dançando, homem 'meu Deus!', não podia. Meus tios zuavam, mas eu nunca liguei. Não ligo para o que estão pensando, eu tenho que ganhar o meu pão de cada dia", revela. Atualmente, acredita que as coisas mudaram para a melhor e que há mais homens no mercado da dança, mas ainda sente alguns olhares receosos.

Passar por esses percalços não o desanimou. Para realizar o sonho, teve que alternar a dança, a escola e os vários trabalhos por onde passou desde os 13 anos, em empresas de pintura, serralheria, fábrica de couro, lava rápido, entre outros. Hoje, orgulha-se da persistência, embora acredite ter ainda muito a caminhar.

Defensor da qualificação profissional, Santana critica o fato de que não é preciso capacitação para dar aulas de dança. Mesmo assim, entre as múltiplas funções, compreende que o mercado é amplo e que há sempre a necessidade de atualização. Com isso, continua estudando e tentando oferecer o melhor em suas aulas. Ao mesmo tempo, teme o investimento em área que exige muito do corpo. "Eu sei que meu corpo não vai aguentar muito, por isso eu invisto também na qualificação do personal trainer", revela.

No entanto, ainda não pensa em parar com a dança e dá o seu melhor. Coisa de quem faz o que gosta. "Hoje eu vejo que é possível como um negócio, ganhar o meu salário, mas eu procuro ser o mais completo possível. Quando dou minhas aulas eu procuro dar o melhor. Para mim, essa é a quinta aula do dia, para elas (aponta as alunas que aguardavam o horário da aula), é a primeira", ressalta.

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