Quando o humor perde a graça
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sábado, 19 de janeiro de 2019
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Ser humorista em tempos de politicamente correto exige muito cuidado já que uma piada fora de tom pode causar sérios problemas. Com muitos anos de carreira, o curitibano Diogo Portugal conta que sente a influência do movimento e avalia que muitas vezes a crítica é amplificada de forma maldosa, com o intuito de causar danos à imagem do artista. "Por exemplo, quando fazemos uma piada escrita em redes sociais como Twitter, às vezes a escrita é mais mal interpretada ainda", diz.
Para Portugal, mesmo com o patrulhamento as piadas continuarão a ser feitas, embora o exagero no que é aceito ou não acabe muitas vezes criando polêmicas desnecessárias, mesmo em temas banais. Entretanto, também tem consciência de que determinadas atitudes tidas como normais antigamente já não são mais aceitas e o profissional deve estar atento para se atualizar. Em seus shows de stand up o humorista trabalha com textos próprios e interpreta personagens.
"Já interpretei personagens com imitações, como o cantor Seu Jorge, pintando o rosto com maquiagem, o vulgo 'blackface'. Isso hoje em dia já não soa mais como uma brincadeira legal, pode trazer sérios problemas e até processo."
Com opiniões tão diversas sobre o que é ou não aceitável, já que muitas pessoas ainda acreditam que determinadas questões são apenas brincadeiras enquanto outras se ofendem, Portugal diz que usa como critério na hora de escolher as piadas de seu repertório o que acredita que fará sucesso com seus expectadores.
"Jamais me preocupei com isso. Se tenho uma ideia e acho que a plateia vai rir, tento explorar o tema ao máximo, creio que hoje já tenho material sobre os mais variados temas. Acho que se a piada for boa eu devo fazê-la, acreditar na piada é importante. Se eu não acreditar nela é melhor nem fazer, a plateia consequentemente não irá acreditar também", finaliza.


