Imagem ilustrativa da imagem Quando o choro é técnico



Chorar copiosamente, como se a maior tragédia tivesse acontecido. A emoção vem de forma natural quando se está no meio de uma situação muito ruim, mas e quando estamos em cima de um palco? Ou em um estúdio? Atores e atrizes precisam usar de diversas técnicas para chorar quando o personagem exige e cada um escolhe a que melhor lhe convém.

Com mais de 40 anos de carreira, o ator Donizetti Buganza explica que quando está compondo um personagem busca mergulhar nele, de forma que as emoções do personagem o façam chorar.

"Busco interiorizar o personagem. Mas se isso não funciona uso a memória emotiva para fazer o choro em si. Pode ser me lembrar de coisas tristes que aconteceram comigo ou coisas que me fizeram chorar. Com os ensaios isso se torna natural e acontece de forma espontânea. Mas prefiro mergulhar no personagem, de modo que as emoções fluam automaticamente. A memória emotiva provoca um desgaste maior no ator", explica.

Há alguns artifícios, como cebola e o chamado cristal chinês, que provocam lágrimas e também podem ser usados pelos atores. Buganza, entretanto, diz que pessoalmente nunca conheceu quem os usasse no palco. "O corpo não sente, a emoção é zero, é só produzir lágrimas. Nunca contracenei com alguém que tivesse usado. Se o personagem tem história forte, consistente, se você mergulhar nas situações essas emoções vão fluir, mas o cristal é um artifício."

Buganza lembra também que somos capazes de reproduzir no palco essas emoções porque já as sentimos alguma vez e que a capacidade de chorar em cena melhora com o tempo. "Mas cada personagem é único e tem sua trajetória única." (E.G.)

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