Bariátrica
Quando o processo de emagrecimento com ajuda de especialistas não deu certo, a cirurgia bariátrica se apresenta como um tratamento eficaz. Segundo as Diretrizes Brasileiras da Obesidade de 2016, da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), a cirurgia bariátrica é um procedimento indicado para pacientes que não conseguiram perder peso mesmo com acompanhamento médico regular nos últimos dois anos.

Mesmo assim, nem todos se encaixam no processo. "As indicações formais para operações bariátricas são: idade de 18 a 65 anos, IMC maior a 40 kg/m² ou 35 kg/m² com uma ou mais comorbidades graves relacionadas com a obesidade", indica o documento da Abeso.

Além disso, o procedimento depende de uma equipe interdisciplinar no pré e pós-operatório, como endocrinologista, cirurgião bariátrico, nutricionista ou nutrólogo, psiquiatra ou psicólogo, anestesista, enfermeiro, assistente social e, possivelmente, cardiologista, fisioterapeuta, pneumologista, entre outros.

Há diversas técnicas utilizadas: banda gástrica ajustável, balão intragástrico, gastrectomia vertical, by-pass gástrico, sleeve, entre outras. Cada uma possui um processo diferente e deve ser conversada com o médico para compreender qual a melhor técnica para cada situação.

O paciente que passa pela cirurgia deve manter o acompanhamento médico no pós-operatório por meio de consultas ambulatoriais, orientações nutricionais e exames laboratoriais para detectar alterações metabólicas e nutricionais. É fundamental a frequência do acompanhamento, que deve ser individualizado e baseado no tipo de cirurgia submetida.

O processo de perda de peso é diferente para quem passa pela cirurgia, no entanto, a vida do paciente é normal se seguir por todos os cuidados apontados. Veja abaixo o que os especialistas de diversas áreas falam sobre a atenção específica para quem passou pelo processo.

Alimentação
Quando a pessoa se submete à cirurgia bariátrica, a absorção dos alimentos – e consequentemente das calorias, vitaminas e minerais – diminuem. "Então o paciente vai ter que fazer um acompanhamento para o resto da vida para evitar essa desnutrição. Muitas vezes vai ter que suplementar", explica a nutricionista Tatiana Góis.

Como o estômago diminui, a especialista afirma que é necessário aumentar o fracionamento, comendo pequenas quantidades várias vezes ao dia, mas sempre dando preferência por comidas naturais.

Após o processo de pós-operatório, quando a pessoa já está se alimentando normal, muitos acreditam que podem comer de tudo, desde que comam pouco. "Não é assim, o processo é igual de qualquer pessoa. Não é que seja proibido comer doce, mas tem que ser de vez em quando, porque se ela volta a comer aquilo que comia antes da cirurgia, vai voltar a engordar", afirma.

Sem a devida orientação nutricional, a pessoa que passa pela cirurgia pode trocar uma doença pela outra. Sair da obesidade para a desnutrição. "A cirurgia é um processo disabsorvitivo, então aquela pessoa nunca mais vai absorver aqueles nutrientes como outra pessoa. Se ela não estiver atenta a isso, não fizer controle, exames, vai acabar ficando desnutrida", afirma.

Exercícios
Quem passou pelo processo cirúrgico tem o tempo de resguardo recomendado pelo médico - e isso varia para cada indivíduo. No entanto, não se passa meses sem exercitar-se, como muitos imaginam. Algumas pessoas iniciam as caminhadas poucas semanas depois da operação e em 40 dias são liberadas para exercício de força, tudo depende da recuperação.

Com o aval do médico, o processo é o mesmo de quem não passa pela gastroplastia. Inicia-se o processo de adaptação até poder exercitar-se normalmente, para evitar os problemas que a dieta sem exercício pode trazer. "Quando eu emagreço só com dieta, perco muita massa magra. Aí me torno mais flácido e menos disposto, porque estou perdendo músculos", afirma Débora Alonso, personal trainer.

Por isso a importância de fazer exercícios físicos após a cirurgia. "Precisa trazer a consciência para esse aluno de que a vida é nova, a rotina é nova e que ele é capaz de coisas que não conseguia", motiva. Com essa mudança de hábito "a vida passa a ter muito mais facilidade, os desafios passam a ser encarados com mais coragem, porque você toma as rédeas novamente desse movimento que há anos vem sendo tirado. O tempo, duração e sucesso disso dependem muito do tripé entre: objetivos muito claros, dedicação do aluno e competência do profissional", finaliza.

Mente
"É muito importante um tratamento pré e pós-operatório", afirma a psicóloga Tatiana Villar. No entanto, muitos passam pelos consultórios apenas pelo laudo para a aprovação da cirurgia, o que impede que profissionais façam o trabalho adequado para a mudança de comportamento efetivo.

Por isso, algumas pessoas possuem dificuldades em manter o peso mesmo depois da cirurgia. "Alimentação não é uma coisa só fisiológica, dentro do universo sentimental está relacionada à muita coisa. Então as pessoas continuam comendo emocionalmente. Mantêm ou transferem suas compulsões para outras coisas e depois voltam para a comida. O grande desafio do processo de emagrecimento é a manutenção do comportamento saudável", defende.

Outra questão é que a mudança corporal é tão rápida que, às vezes, a mente não acompanha. Muitas pessoas colocam expectativa de uma vida calma e sem problemas após o emagrecimento, mas não é o que ocorre. "As inseguranças continuam, os descontos na comida continuam, por isso que o processo terapêutico é fundamental para que as pessoas consigam se reconstruir inteiramente durante o processo de emagrecimento."

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