Puxou ao pai
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sexta-feira, 09 de setembro de 2016
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 


Diz o ditado popular que o fruto não cai longe do pé. O pastor e músico Benedito Santos Rosa criou os três filhos, Elaine, Eunice e Júnior, para serem cidadãos do mundo. Sem muitos recursos, mas com bastante empenho, deu estudo e condições para que eles trilhassem os próprios caminhos.
Como a árvore sólida e frondosa que continua atraindo os frutos para perto de si, porém, Benedito também soube "encantar" os filhos e mantê-los sempre próximos através da paixão pela música. Com o passar dos anos, o que era um hobby se transformou no instrumento que o pastor usa para levar a palavra de Jesus Cristo aos fiéis. Tornou-se, também, o legado que ele deixará aos três herdeiros. "Deixo educação, o Evangelho e a música", emociona-se o pai, que até hoje resolve os grandes dilemas da vida dedilhando instrumentos musicais.
Foi nas fazendas de Euclides da Cunha Paulista que ele aprendeu as primeiras notas, apenas "olhando" as pessoas. Ainda criança, passou a se apresentar com o irmão, na dupla Celvani e Ditinho, pelos circos do interior. Dessa época, relembra da amizade com o cantor José Rico que também iniciava a carreira. Com trajetória profissional que incluiu alguns anos na Itaipu Binacional e também no ramo de farmácias, paralelamente passou a aprender vários instrumentos. A paixão atual deste músico de 65 anos é a "havaiana", uma espécie de guitarra "horizontal" que aprendeu a tocar sem jamais ter visto alguém fazer o mesmo.
Depois de encontrar a música gospel, aos 24 anos, Benedito se enveredou cada vez mais por esse caminho até se tornar pastor. Na vida religiosa, gravou um LP e dois CDs. Os filhos sempre acompanharam o envolvimento do pai com os acordes e notas musicais. Pouco a pouco, como ele, passaram a por a arte no centro da vida.
Elaine Cristina Santos Rosa, de 33 anos, é uma das herdeiras do amor do pai pela música. O talento para encantar com a voz ela foi adquirindo com o tempo, inclusive com as dicas preciosas de Benedito. Após formar uma dupla na infância e adolescência com a irmã Eunice, hoje tem uma promissora carreira solo no universo gospel. "Meu pai fazia questão que soubéssemos música", conta ela, que se lembra com ternura da infância ao redor do rádio ouvindo o pai cantar, tocar e explicar sobre política.
O pai bancou a primeira gravação em K7 da dupla. Também incentivava as filhas a ganharem o mundo se apresentando em eventos religiosos de outras cidades. Quando Elaine decidiu estudar em Londres, ele vendeu um carro para bancar a realização do sonho. Na Inglaterra, ela se aprimorou na música, o que abriu caminho para que gravasse os trabalhos solo no retorno a Londrina. "Até hoje, quando vou escolher um repertório ou tomar alguma decisão, chamo meu pai para opinar", revela.
Para a cantora, a maior e mais importante herança que ela recebeu foi entregue pelo pai ainda em vida. "A música é o que me sustenta e também o meu futuro. Sou muito grata por isso."



