'Pular elástico, jogar bets, soltar pipa...'
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sexta-feira, 05 de outubro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
"Eu gostava muito de assistir ao Xou da Xuxa no período da manhã, ia à escola e quando voltava, brincava". He-man, She-ha, Caverna do Dragão... Esses e outros desenhos animados tiveram participação na infância de Ellen Carolina Ferreira, 36, filha da professora aposentada Estela Ferreira, 63.
Ela e a irmã, Paula Ferreira, 33, ambas médicas, dividiam o tempo entre a TV e as brincadeiras na rua. "Amarelinha, pular elástico, jogar bets, soltar pipa... Na varanda, as meninas imitavam as Paquitas", lembra a mais nova.

Apesar da presença da tecnologia, como os programas infantis na TV e o videogame Atari, na casa do tio, ninguém dispensava uma brincadeira na rua do jardim Bandeirantes (zona oeste). "Lenço atrás, mãe da rua colorida, mãe da rua do disco, stop, pular corda, elástico, entre outros", revela Ellen Carolina, admirada com o tanto de atividades que não recordava mais.
Talvez porque as novas gerações não brinquem tanto com isso, mas algumas permanecem. "Cantigas, versinhos, histórias do folclore são tão inocentes e adequados que acredito que eles serão perpetuados", afirma a mais velha, mãe de um bebê de 1 ano e 9 meses.
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Em comparação à infância da mãe e dos filhos, a mais velha aponta uma das diferenças: ela e a irmã tiveram muitos brinquedos, diferente da mãe, mas todos eram recebidos em datas comemorativas, diferente dos filhos.
Para ela, as crianças de hoje também sofrem com novas questões. "Tenho medo da violência, o que restringe a liberdade, mas não quero deixar que a tecnologia o envolva de forma que ele fique preso a ela."
Paula se tornou mãe recentemente, mas já sente as consequências que o filho de 2 meses irá enfrentar. "Imagino que ele não vá ter uma infância tão livre, brincando na rua, vai ter que ser muito mais vigiado, mas pretendo ensinar as brincadeiras da minha infância", aponta.
A intenção é tentar aplicar um pouco do passado na atualidade. "Quero que ele aproveite esse período de forma lúdica, inocente e feliz como a infância deve ser e como foi a minha, da qual tenho tantas lembranças lindas", finaliza Ellen Carolina. (L.T.)


