'Presépio mostra que Jesus está chegando'
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sábado, 22 de dezembro de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

"A gente não tinha condições de ter um presépio em casa, mas sempre ia na casa de um fazendeiro que montava as peças dele. Então, a gente ia lá só para apreciar aquilo. E era a coisa mais linda que a gente via em toda a vida", recorda Rosana Moreto, 43.
Cm nove irmãos e de família simples, ela conta que aprendeu a ser cristã com o pai, um devoto de Nossa Senhora Aparecida e que, apesar de analfabeto, conhecia a bíblia do começo ao fim. "Moramos no sítio até os meus 17 anos, não tínhamos condições de ter presépio, mas vivenciávamos aquilo com as histórias do meu pai", relembra.
José Rodrigues Nogueira faleceu há dois anos, mas deixou um legado que a filha leva com devoção. Hoje, pode ostentar presépio montado no canto da sala. Algumas peças já estão quebradas, mas tem uma boa razão para isso. "Meus filhos participam da montagem e acabam quebrando alguma coisa, tem peça trincada, anjo sem pescoço", ri com os dois denunciados.
João Paulo Moreto, 9, comenta que o que mais gosta no presépio são os animais. A mãe repassa o que aprendeu ao pequeno e ao maior, Miguel Moreto, 15, e explica a história que aquele cenário representa. "O símbolo tem que por si só falar e é isso que eu vejo nas imagens, quando alguém entra, automaticamente a pessoa diz: 'Nossa, que lindo!', mas não é só a beleza em si, mas de olhar e perceber o sentido daquilo, de que Jesus está chegando", explica.
A vivência também ensina muito. Rosana e o marido, Michael Moreto, 39, fazem questão de participar das novenas, ir à Missa do Galo na véspera do Natal e seguir a regra principal do presépio, de só colocar o menino Jesus no dia em que se comemora o nascimento.
A secretária explica que, de acordo com a tradição, a cena deveria ser montada apenas na véspera, como parte da comemoração em família, mas o dela já estava montado há algumas semanas. "Montamos antes até porque é tão bonito para logo desmontar... A gente deixa aqui para também ir vivenciando isso no decorrer das semanas", afirma.
A representação traz para ela mensagens que nem sempre são tão valorizadas. Segurando a imagem da mãe, sua peça favorita, ela conta o que mais lhe agrada. "Gosto do jeito dessa imagem, a ternura que expressa, o semblante dela. É o de uma mãe calma, serena, protetora, de uma mãe que se dobra para olhar para o filho. Tudo isso nos revela algo", conta, identificando-se com a posição maternal.
Todas as peças têm uma informação e, para Rosana e família, representam o verdadeiro sentido do Natal, em cada expressão e na soma da cena ao todo. Assim, ela acredita que esses símbolos têm o poder de comunicar o que a data realmente significa. "Jesus é a verdade do Natal. Nós participamos da ceia com a família, mas não podemos deixar o comércio ditar as regras para o nosso Natal."


