Prato cheio, lixo vazio
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sexta-feira, 01 de junho de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 

A Associação Guarda Mirim de Londrina é receptora do projeto Mesa Brasil há mais de seis anos. As três unidades (Londrina, Guaravera e Lerrovile) atendem 665 crianças, adolescentes e jovens, oferecendo seis mil refeições, entre lanche e almoço, por mês. "Sem isso a Guarda não conseguiria desenvolver a alimentação com tanta qualidade", defende Cláudio Melo, gerente geral do projeto na Guarda Mirim.
O programa atende duas pontas importantes: primeiramente, a fome, já que essas entidades atendem população em situação de vulnerabilidade. "Tem educando que vem almoçar ou fazer o lanche, porque não tem em casa", afirma o gerente. Outro aspecto é a sustentabilidade, que promove a consciência ecológica.
Nessa ação, o destaque é o aprendizado em lidar melhor com o alimento. As oficinas oferecidas aos funcionários pelo Mesa Brasil acabam atingindo os alunos. "Temos todo cuidado para descartar o mínimo possível. Este ano estamos implantando um projeto que é fazer compostagem com os materiais que sobram. Hoje a gente descarta adequadamente, mas queremos chegar a 70% a 80% fazendo compostagem, gerando adubos para nossas plantas internas", afirma.
As oficinas ultrapassam as questões da alimentação, mas alguns são essenciais para que o trabalho continue no consumo, uma das pontas em que mais são desperdiçados alimentos na América Latina (28%). "Aprendemos a fazer o aproveitamento integral dos alimentos, formas de fazer o mesmo produto e temos o curso de manipulação", explica Melo.
Toda a alimentação da associação é garantida por meio de doações e grande parte pelo sistema de colheita urbana. "São 190 refeições (só almoço) por dia, se for pensar no impacto que tem isso, é muito grande".
Com a consciência da importância do trabalho, Melo afirma trabalhar a proposta entre os alunos para auxiliar na formação cidadã, abordando os temas sobre meio ambiente, sustentabilidade ecológica e financeira, preconizando o trabalho dentro da entidade.
Doando... lixo?
Os estabelecimentos credenciados no Projeto Mesa Brasil, do Sesc, doam alimentos que estão fora do padrão de venda. Bananas fora da penca, legumes muito grandes ou muito pequenos, com algum machucado... São características que fazem o consumidor deixar de comprá-los, aumentando a quantidade de lixo. O projeto, além de auxiliar no combate à fome, evita acúmulo de resíduo orgânico e evita o desperdício de recursos naturais.
Em Londrina, alguns supermercados participam da rede. "A doação ocorre diariamente em nossas lojas. São aproximadamente duas toneladas por semana, totalizando oito toneladas de alimentos mensalmente", afirma Noroli do Nascimento, superintendente do Grupo Muffato. A intenção é dar um destino correto, beneficiando pessoas que são atendidas pela entidade.
De acordo com a nutricionista do Mesa Brasil em Londrina, Lara Libanori Barbosa, os itens coletados são alimentos in natura que ainda serão preparados e que perderam o atrativo para venda. "São produtos que não têm valor comercial, que se estivessem na sua casa você iria consumir, mas se você fosse comprar, não levaria", compara.
Para que a rede funcione, há capacitação dos colaboradores do setor hortifrutigranjeiros na separação dos alimentos entre os que poderão ser reaproveitados e aqueles que já estão impróprios para o consumo. "Eles (os colaboradores) podem eventualmente ser beneficiados com algum parente ou conhecido que lá na ponta vai ser atendido. Um filho que está na creche, um amigo numa casa de recuperação, um conhecido que foi para um hospital", analisa.


