Por trás das máscaras
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 

A folia pernambucana faz sucesso também fora dos limites de Recife e Olinda. Distante 102 quilômetros da capital, Bezerros é famosa pelos papangus, assim chamadas as pessoas que saem mascaradas no Carnaval. Considerado o terceiro maior polo do Estado, o município é procurado por aqueles que querem se divertir nas ruas, em uma espécie de matinê a céu aberto.
Nos dias de folia que lá dura oito dias - a cidade de 65 mil habitantes chega a receber até 300 mil visitantes, que se espalham pelas ruas e praças da cidade. O sucesso se deve provavelmente ao clima familiar da brincadeira, que reúne pessoas de todas as idades.
A dona de casa Sueli Rodrigues mora em Recife e há três anos reúne amigos e familiares para aproveitar a folia em Bezerros na manhã de domingo. "Neste ano viemos em 22 pessoas, de todas as idades. À noite gosto de ir para o Marco Zero, no Recife. Aqui temos muita segurança e muita alegria, para pular o dia todo", diz.
As crianças também curtem muito a festa. A auxiliar de cozinha Adriana Ferreira, moradora de Bezerros, não se intimidou com o sol quente e levou a filha Isabele e o sobrinho Lucas para brincarem na praça. "O Carnaval é bem tranquilo aqui e a maioria das pessoas traz as crianças, elas gostam bastante", afirma.
Além de concurso de fantasias, a cidade também elege as casas mais enfeitadas. Assim como no Recife, Bezerros conta com diversos polos, para agradar a todos. Enquanto no Palco 1 se apresentam artistas de renome nacional, como Alceu Valença, o Palco 2 é reservado para as atrações pernambucanas e o Palco 3, para os artistas locais e da região. No Polo da Criança os pequenos encontram brinquedos para se divertirem. Nas ruas também é possível comprar os mais diversos tipos de artesanato, dos sapatos e chapéus de couro de bode às máscaras coloridas dos papangus.
Papangu
A origem dos papangus remonta ao final do século 19, quando os senhores de engenho queriam brincar o Carnaval, na época ainda chamado de festas de entrudo, mas não queriam ser reconhecidos. Eles saíam mascarados e mal vestidos para visitar amigos. Durante as visitas às casas eles comiam angu, espécie de mingau salgado, feito com farinha de milho. O nome papangu teria vindo de "papa" e "angu", portanto.
No século 20, na década de 1930, surgiu a tradição dos blocos. A partir dos anos 1960, os papangus ficaram mais numerosos e passaram a usar fantasias coloridas e máscaras bem trabalhadas, sendo elaboradas por artistas plásticos. Ainda hoje muitos foliões se vestem da mesma maneira, indiferentes ao calor escaldante. A brincadeira é levada tão a sério que os foliões procuram fazer suas fantasias em segredo, para não serem identificados antes da festa.


