Por que gostamos tanto de séries e sagas?
"Assistimos a esse tipo de conteúdo buscando identificação”, argumenta especialista na área
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de maio de 2019
"Assistimos a esse tipo de conteúdo buscando identificação”, argumenta especialista na área
Laís Taine - Grupo Folha 

Dragões, heróis, naves espaciais... Universos explorados por produções audiovisuais conquistam público fiel e fazem com que fãs do mundo todo acompanhem grandes sequências na busca da conclusão da narrativa. A verdade é que o público nem deseja que a história acabe, mas aceita e parte em busca de um novo enredo para acompanhar. Especialista em criação e produção audiovisual em Londrina comenta a atração que algumas sagas provocam em seus espectadores.
“A gente assiste a esse tipo de conteúdo buscando identificação, o ser humano gosta de histórias e a gente acaba buscando algo da gente mesmo nos filmes e séries”, indica Vivian Campos, que além de se especializar na área, participa dos encontros Viciados em Séries, organizado pelo Sesc Centro de Londrina.
Ela explica que a forma como as histórias são conduzidas é própria para criar a expectativa e desejo de ir até o final, utilizando estratégias como a jornada do herói e o plot twist. “A jornada do herói tem muitos desdobramentos, via de regra é alguém que é inocente em relação ao problema e surge um chamado, ele se vê em uma situação que a negação pode prejudicar muita gente, então ele encara, mas passa por testes e provações”, explica ela, lembrando que há uma força antagônica nesse modelo e que os norte-americanos usam bastante o tema do bem contra o mal.
Leia também:
- Leve sua série favorita para casa
O plot twist, mudança de trajetória, é responsável pela ansiedade para saber o que vai acontecer diante dos novos caminhos apresentados. “É a virada do jogo, o personagem caminha para um lado o tempo todo, mas no final do episódio muda tudo e a gente fica roendo unha querendo saber o que vai acontecer. Deixar esses ganchos no final é uma estratégia que as novelas também utilizam”, explica.
Esses são alguns elementos apresentados pela especialista entre os vários que contemplam a produção de uma narrativa, mas ela também considera as novas formas de consumo como responsáveis pelo aumento de público em séries e filmes de sequência.
STREAMING
O streaming, além de democratizar, tornando o conteúdo mais acessível, também utiliza a tecnologia para buscar dados dos consumidores. “O Netflix usa big data, eles sabem o que a gente quer. Fazem pesquisas, coletam dados e produzem conteúdo quase sob encomenda, então é óbvio que a gente vai gostar”, comenta ela, acrescentando o termo de fãs de outra série da plataforma. “É muito Black Mirror”, brinca.
A plataforma não só utiliza os dados dos usuários como também lançou no ano passado um episódio em que as pessoas interagem clicando nas opções que o personagem têm dentro da história. Tecnologia, técnicas e métodos agindo nas produções, mas Campos afirma que nada seria válido se as histórias não fossem realmente boas.
“O pressuposto básico de um bom roteiro é que exista transformação, a história não pode começar e terminar da mesma forma. A dica para o roteirista é escrever com base naquilo que ele conhece bem, quem escreve precisa ler muito para tornar a história verossímil”, indica.
IMAGINAÇÃO
Trabalhar a fantasia do público também atrai. A especialista explica que os universos fantásticos têm o poder de mexer com a imaginação das pessoas. No caso dos heróis, o apelo é maior, pois vai no afeto do público. “Mexe com a nostalgia por eles existirem há muito tempo nas Hqs (histórias em quadrinhos), coisa que o pai passou para o filho e eles estão há décadas acompanhando as histórias dos personagens. Vira uma cultura mesmo”, afirma.
Não é diferente em universos que foram criados, onde entram dragões, lobos, elfos, gigantes atuando sem limites em uma mente criativa. “O ser humano tem essa atração muito grande pelo fantástico, místico, tudo que a gente não pode fazer e essas histórias suprem essa necessidade, mexe com o imaginário e angaria forças para essa questão do desejo de nos aproximar dessa fantasia”, aponta. Tudo que Game of Thrones, Marvel, Star Wars, entre outros, têm em comum: transformam histórias arrebatadoras em armas de atração. Quem não se deixaria levar?


