Os atores Patricia Selonk e Jopa Moraes, mãe e filho, em cena do espetáculo Angels in America, da Armazém Cia. de Teatro, em São Paulo
Os atores Patricia Selonk e Jopa Moraes, mãe e filho, em cena do espetáculo Angels in America, da Armazém Cia. de Teatro, em São Paulo | Foto: Divulgação

Uma longa rotina de ensaios, turnês fora da cidade de origem, noites de trabalho nos finais de semana. A maternidade de quem trabalha em teatro exige um certo jogo de cintura, mas não é nada impossível quando se tem uma rede de apoio. Para a atriz londrinense Patrícia Selonk, 48, a participação do marido, o diretor de teatro Paulo Moraes é muito importante para a criação dos filhos Jopa Moraes, 23, também ator, e Maria Luiza Moraes, 15, estudante.

“Fundamos a Armazém Companhia de Teatro ainda em Londrina. Fui agente de um lugar onde pudesse trabalhar e também exercer a maternidade, onde pudéssemos ter mães e filhos juntos sempre que necessário. Paulo também sempre colaborou para que minha maternidade fosse possível, mas o apoio de outras pessoas do grupo, como a Simone Mazzer, madrinha do Jopa, também contribuiu”, conta.

A atriz se descobriu grávida de Jopa no meio do processo de “A Tempestade”, de William Shakespeare, encenada em comemoração ao aniversário de 60 anos de Londrina. Ela chegou a estrear o espetáculo mas precisou ser substituída já que sua personagem andava sobre pernas de pau. Ao mesmo tempo encenou também “A Ratoeira é o Gato”, onde atuou até os cinco meses de gestação por decisão própria.

“Quando João nasceu fiquei três meses em licença e depois decidi voltar aos poucos. Ficava duas horas no primeiro mês (no teatro) e depois fui aumentando”, descreve.

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Quando o menino tinha 2 anos o casal decidiu se mudar para o Rio de Janeiro. A princípio Jopa deveria ficar com os avós durante algumas semanas até tudo estar pronto no novo lar, mas ele mesmo foi categórico, apesar da pouca idade, de que não ficaria em Londrina.

Selonk conta que quando fez “Alice Através do Espelho” ele ficava com o pai ou no camarim enquanto ela estava no palco. Uma vez Jopa disse que não ficaria e como a peça não seguia o estilo tradicional, com plateia longe do palco, ela levou o menino pela mão enquanto atuava.

Quando ele completou 8 anos, o casal decidiu que era hora de ter mais um filho. Ela voltou a atuar quatro meses depois do parto de Maria Luiza e para ajudar nos cuidados com a filha teve o apoio da mãe e também de uma funcionária doméstica.

“Ela não precisou ir tão nova para o teatro, claro que quando viajávamos ela ia junto e ficava na cabine ou no camarim. Foi-se criando uma rotina que era dinâmica. Criança precisa de rotina, mas esta nunca foi muito rígida.”

Para Jopa, que hoje atua em um espetáculo juntamente com seus pais, sua rotina quando criança era algo natural, embora fosse diferente. “O teatro sempre foi algo muito próximo na minha vida familiar, havia uma sensação de pertencimento muito grande nesse meio. O que de certa forma construiu o caminho para eu me tornar profissional foi esse lugar da arte, sempre despido de pompa, de glamourização. A arte sempre foi muito do dia a dia”, afirma ele.

O ator destaca que a rotina de frequentar camarim e cabine fez com que ele se tornasse muito próximo aos pais. Seguir na mesma profissão possibilita que eles possam continuar dividindo histórias, seja como colegas de trabalho ou como família.

MATERNIDADE E TEATRO

Para Selonk, a maternidade possibilitou-lhe reinventar-se todos os dias. Por outro lado, o teatro lhe ensinou um exercício de desprendimento com o que está acontecendo, já que pode acabar em seguida.

Ela destaca que é muito importante, quando os filhos começam a crescer, que os pais os olhem como seres independentes e que irão fazer suas escolhas. “A partir do momento que eles crescem é um exercício deixar por conta deles, de deixar serem o que quiserem.”

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