Imagem ilustrativa da imagem Policiais muito especiais
| Foto: Fotos: Gina Mardones



Eles são peludos e fofos, mas não se engane. Os cães farejadores são uma ferramenta importantíssima no trabalho de policiais e bombeiros. Com a capacidade olfativa muito superior à humana, esses animais são treinados para encontrar drogas, armas e pessoas.

No canil do 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina atualmente há seis animais em trabalho ou ainda em treinamento para a função. A simpática Polenta, uma Bloodhound, é a única capacitada a encontrar pessoas. Foi ela a responsável por localizar um idoso perdido em uma lavoura de soja em Arapongas em janeiro deste ano. Há também animais treinados unicamente para encontrar armas e entorpecentes, como o Guará, um híbrido de Pastor Belga Malinois com Pastor Alemão. Há ainda outros cães treinados tanto para faro quanto para ações de patrulha, como controle de distúrbios civis e rebeliões.

Cada animal tem o seu condutor, como é nominado o policial que o treina e acompanha durante as missões, embora o cão também possa ser conduzido por outro membro da corporação que também faça parte da equipe do canil. Para se tornar um cão farejador o treinamento começa cedo, a partir dos três meses de idade. Ele será avaliado até os oito meses, quando já é possível saber se será apto para o trabalho policial ou não. No caso de não ser possível, o animal é doado.

O treinamento tem diferentes etapas, conforme a finalidade de trabalho. Segundo o soldado Adriano Ávila, condutor da Polenta, embora seja uma atividade importante, para o cão sempre será uma brincadeira. Após encontrar o que foi solicitado, o animal ganha uma recompensa, que pode ser um brinquedo, uma bolinha, um petisco ou um pano. Cada animal tem a sua preferência. Seu objetivo, portanto, é sempre buscar a recompensa.

O cão Guará, híbrido de Pastor Belga com Pastor Alemão, do 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina, é treinado unicamente para encontrar armas e entorpecentes
O cão Guará, híbrido de Pastor Belga com Pastor Alemão, do 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina, é treinado unicamente para encontrar armas e entorpecentes



"Os animais não têm contato com os entorpecentes, que sempre são apresentados embrulhados em embalagens plásticas. Ele sabe que ao encontrar algo com aquele odor, ganhará sua recompensa e é isso que ele busca", explica. No caso dos animais especializados na busca por pessoas, eles aprendem a localizar um odor específico, que pode estar em uma peça de roupa ou em um objeto. Segundo o policial, esse odor pode ser percebido pelos cães até 30 dias depois.



Uma das diferenças do olfato dos cães em relação ao humano, ainda segundo o soldado Ávila, é separar os odores. Por isso eles conseguem localizar drogas escondidas em tanques de gasolina, por exemplo. Entre as raças mais escolhidas para a função estão o Labrador, o Pastor Belga Malinois e o Bloodhound. "Cada raça tem suas peculiaridades. Os animais passam por treinamento constante, sempre intercalado com o trabalho, para não cansá-los. No Canil Choque de Londrina há duas equipes diferentes, de modo que no dia de descanso dos policiais, os animais também descansam", diz Ávila.

No dia em que a reportagem da FOLHA esteve no local foi Guará, com sua condutora, a soldado Juliana, quem demonstrou suas habilidades. Com comandos em alemão e inglês, ele encontrou rapidamente entorpecentes escondidos sob um cone e dentro de um micro-ônibus, e um revólver no meio do mato. Após farejar os odores o animal prontamente se sentou ao lado do objeto encontrado, aguardando pelo seu prêmio, no caso, uma bolinha. "Cada animal tem uma forma de sinalizar, pode ser se sentando, latindo ou pulando", explica Juliana.

"Os animais são uma ferramenta a mais e que facilita o trabalho no dia a dia. Um cão pode vistoriar vários carros em apenas cinco minutos", afirma o Soldado Sotero.

Os cães trabalham em média até os oito anos de idade e depois se aposentam. Os animais são oferecidos em adoção para a comunidade e se não houver interesse em até 48 horas, podem ficar com seu condutor. Para adotar um deles, entretanto, o interessado tem que comprovar capacidade para arcar com todos os gastos de alimentação especial, veterinário e remédios, além de ter espaço e ambiente adequados.

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