A psicóloga analítica junguiana Sonia Vaz: "É fabuloso, com a maturidade, com o pensamento de 50 anos, o mundo fica muito mais fácil de lidar"
A psicóloga analítica junguiana Sonia Vaz: "É fabuloso, com a maturidade, com o pensamento de 50 anos, o mundo fica muito mais fácil de lidar" | Foto: Fábio Alcover/24-06-2017


"Se eu pudesse voltar no tempo, voltaria aos 48", afirma a psicóloga Sonia Lunardon Vaz, 59. Mais consciente, aceitando a si mesma, sem preocupação com o que os outros pensam e com seus próprios valores, percebeu sua plenitude pouco antes de completar 50 anos. A analista junguiana explica que com a mente apta para aproveitar a fase, os cinquentenários têm tudo para viver o melhor momento da vida.

A diferença está na maturidade. "É claro que se tinha mais energia aos 20, 30 anos, mas não havia maturidade. Depois dos 48, eu tirei um monte de coisa que eu não queria e coloquei o que eu queria. Criei um novo universo e me sinto feliz com isso hoje", declara. A especialista explica que depois dos 45 anos, dentro da psicologia analítica, há o entendimento de que a pessoa está na segunda metade da vida e quando ela compreende isto, os valores, projetos, sonhos são outros e há uma disposição melhor para olhar para dentro de si, de se conhecer melhor do que quando estava correndo para conseguir coisas no mundo.

MENTE HUMANA

Com a longevidade, as pessoas vão em busca das suas conquistas por um período maior que antigamente. "A dinâmica da vida mudou. O que se alcançava aos 30 antes, hoje não mais", argumenta. Segundo ela, a disputa pela carreira aumentou e os jovens precisam passar mais tempo da vida se dedicando aos estudos, à profissão e moram com os pais por mais tempo para conseguir isso. "Se os valores mudaram, o comportamento também. Hoje nós podemos dizer que voltamos para a Grécia Antiga, onde a adolescência ia até os 33 anos", compara.

Avanço rápido na medicina, nas formas de comunicação e no comportamento garante um corpo ainda disposto aos 50 anos, mas como a mente acompanha essa mudança drástica? "A mente humana conserva-se em 30, 40 anos, porque ela não conhece a finitude. Há pessoas com 60, 80 anos que nem pensam em morrer e, já que o corpo está melhor, isso fica mais destacado ainda", explica. Portanto, alguns cinquentenários mantêm o padrão de comportamento de quem tem 20 ou 30 anos. "Falta amadurecimento", afirma.

OS IMATUROS

A juventude eterna é cobrada a todo tempo, por isso é preciso estar bem consigo. Segundo a psicóloga, o vigor físico sem maturidade psíquica pode desencadear uma intensidade que não é própria de si, causando um peso em vez de aproveitamento. "Pode estragar sua vida social e afetiva. Há casos de mães competindo com a filha, homens com comportamento de jovens de 20. Se entra nisso, perde um lado de compreensão sobre a juventude ao invés de viver aquilo. Não está dando continuidade à sua existência, está voltando para trás e isso não é positivo", defende.

SEXO SEMPRE

Sem exageros e com reflexão, é possível usufruir dos avanços a seu favor. O sexo, que antes acreditava-se acabar aos 40, já se sabe que pode continuar até os 90 tranquilamente. "Hoje nós temos tratamentos, existem reposição hormonal, exercícios físicos, tratamentos psicológicos para não ter essa sensação de perda com a idade. Enquanto se estiver vivendo, vai ter sexo", afirma.

Corpo e mente devem estar sempre evoluindo para que os cinquentenários vivam com plenitude o que a psicóloga considera, pessoalmente, a melhor fase da vida. Ter o corpo de 30 com a bagagem dos 50 para continuar experimentando, segundo ela, só tem vantagens. "É fabuloso, com a maturidade, com o pensamento de 50 anos, o mundo fica muito mais fácil de lidar", conta com o olhar privilegiado de quem colhe os resultados das decisões tomadas aos 50.

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