Pioneira virtual
"Faz parte da moda mudar sempre. E a gente também tem que mudar", sentencia a carioca Iesa Rodrigues, um dos grandes nomes do jornalismo de moda brasileiro. Para quem a vê fazendo transmissões ao vivo para o Facebook com suas impressões sobre os desfiles quase que imediatamente após a fila final de modelos entrar na passarela, nem imagina o início inusitado.
"O jornal era em preto-e-branco e as fotos ficavam péssimas, então eles preferiam que a gente desenhasse as novidades", lembra Iesa, sobre as primeiras idas a São Paulo para cobrir a Fenit (Feira Nacional da Indústria Têxtil) em 1969, 1970.
Pioneira, lançou em 1995 o site Estilo Iesa. "O pessoal da moda não sabia nem ligar o computador", lembra Iesa. A iniciativa virtual surgiu para ampliar o espaço dedicado às matérias de moda, que ficavam muito restritas no jornal, no caso, o icônico Jornal do Brasil.
"Uma das mudanças da moda agora é essa transformação dos eventos. O evento é um negócio caro, difícil de manter de pé, por isso admiro o Paulo (Borges) porque ele consegue manter, estamos na 42° edição. É um feito inegável", parabeniza.
Sobre o conceito veja agora, compre agora, Iesa ainda está refletindo sobre o assunto. "Não sei se vai pegar ou se é só mais um assunto para nós (jornalistas) repercutirmos agora", diz. "Não sei se me abalaria da minha casa para ver um desfile de varejo que eu sei que no dia seguinte vai estar no shopping perto da minha casa", afirma.
"Dizem que o formato de desfile está acabando, mas ninguém ainda achou outro formato. Tem que ter esse frisson, essas pessoas, esse compartilhamento de impressões", aponta Iesa, que diz não trocar o desfile presencial pelo on-line.
A jornalista lembra que no século retrasado a moda era vendida pela França em um mostruário com pequenas bonecas. "A moda não é mais sonho de consumo de 90% da humanidade como já foi um dia. Hoje os desejos são outros, as pessoas querem um celular", explica.
"De vez em quando aparece algo que você não resite e quer muito, e aí compra, parcela", diz. Das novidades do momento, Iesa cita os não-estilistas, não-designers que estão fazendo moda. "O Kanye West faz um desfile que ninguém sabe onde fica. As pessoas vão para um lugar para pegar um ônibus e ir para o desfile. Quem não gostaria de ir? Eu ia querer", avisa, com a mesma empolgação que a faz se dividir entre as redes sociais, o site e a revista digital Almost Paper. (K.M.)





