PENSAR MAIS
Não é brincadeira, não
Carnaval é coisa séria. Oi? Pois é, pra mim é. Nunca fui folião, tenho uma preguiça danada de correr atrás do trio. Mas desde moleque, certamente influenciado pelas idas frequentes ao Rio de Janeiro em visita a queridos parentes que tenho por lá, aprendi a gostar demais, muito mesmo, do universo das escolas de samba.
Me tornei mangueirense já aos 8 anos de idade, ao assistir pela TV, na casa de uma tia que mora nas Laranjeiras, ao desfile de 1986. Naquele ano meus pais e essa tia foram ao sambódromo, e eu, muito criança pra encarar quase 10 horas de "folia", não pude ir.
A Mangueira, com um samba homenageando Dorival Caymmi que considero ainda hoje um dos melhores da história da escola ("tem xinxim e acarajé, tamborim, samba no pé...") ficou com o título.
A paixão pela verde e rosa se estendeu à cultura carnavalesca carioca. Conheci quase todas as quadras das principais escolas da capital, coleciono vinis e CDs de sambas de enredo, livros sobre o assunto (tem até um que, tal qual fizeram com o Neruda do Chico, tomei emprestado e não devolvi).
Só assisti ao desfile ao vivo na Sapucaí duas vezes, nunca desfilei, por uma questão de preguiça também, mas até hoje foram poucos os anos em que perdi as apresentações pela TV.
É claro que há muito de controverso no mundo particular das escolas de samba do Rio de Janeiro. A influência do jogo do bicho e do tráfico na gestão das agremiações, os enredos patrocinados. Mas há também muito de história, arte e diversidade cultural. Além de sambas antológicos e uma tradição "raiz" que ainda se mantém viva graças à criatividade de gente de morro.
Pra tudo terminar em agonia, na Quarta-Feira de Cinzas, na apuração. Não é brincadeira, não.
Diego Prazeres, editor de Economia na FOLHA





