O protetor solar não é exclusividade do verão, a reaplicação também é importante
O protetor solar não é exclusividade do verão, a reaplicação também é importante | Foto: Shutterstock



Use filtro solar! Esta não é só a recomendação de um texto que viralizou na internet em 2003. Aplicar o protetor solar é a orientação número 1 dos dermatologistas para todas as estações do ano. No verão os cuidados devem ser redobrados, pois a exposição ao sol contribui para o surgimento de doenças, além do envelhecimento da pele.

A busca pela conscientização das pessoas para esses cuidados é o mote da campanha Dezembro Laranja, promovido pela SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), que se estenderá por todo o verão com o slogan "Se exponha, mas não se queime". Além de conscientizar, a ação visa alertar sobre os riscos do câncer de pele, pois, segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), a cada ano surgem 176 mil casos da doença no País. O principal motivo: falta de proteção ao se expor ao sol. O filtro solar é mais que cosmética, é questão de saúde.

"Há questões secundárias, como colágeno, envelhecimento, crescimento de manchas, há vários benefícios em se utilizar o protetor solar, mas o ponto principal é a saúde, a prevenção do câncer de pele", afirma o médico dermatologista Rubens Pontello Junior, explicando que o protetor reage contra as diversas radiações que atingem a pele e, tanto UVA, quanto UVB contribuem com a doença.

Na hora de comprar, surgem diversas dúvidas. Há quem acredite que quanto maior o FPS (Fator de Proteção por Solar), melhor a proteção. As academias norte-americana e brasileira de dermatologia recomendam o uso diário de, no mínimo, FPS 30. "Vale a pena comprar o fator 50 ou 60? Testes laboratoriais demonstram que o FPS 30 protege ao menos 95% dos raios e FPS 50 ou 60 chegam a 98%", indica Pontello Júnior.

Outra questão é o tipo de filtro. Com o desenvolvimento da indústria, hoje é possível encontrar filtros químicos (mais comuns) e físicos (ou minerais). "A cosmética mais avançada permite a reflexão da luz, já os químicos absorvem e degradam a radiação", explica o dermatologista. Assim, os filtros físicos ou minerais formam uma barreira, não utilizando a reação química. São indicados para peles sensíveis, para alérgicos, crianças ou para quem deseja produtos mais naturais.

O filtro químico tem abrangência maior, o mesmo utilizado em adultos pode ser aplicado em crianças a partir dos 9 anos. Já os desenvolvidos especificamente para o público infantil, podem ser aplicados a partir dos 6 meses. Bebês até essa faixa devem ser protegidos por meio das roupas ou outras barreiras físicas.

Além disso, há várias texturas diferentes para contribuir com cada tipo de pele. "Em creme é recomendado para pele seca, gel creme ou gel para pele oleosa e spray em aerosol para crianças. Tudo isso é para facilitar o uso", afirma Pontello Júnior.

Os fotoprotetores orais também são opção, eles contêm substâncias ricas em antioxidantes, carotenoides, vitamina A, vitamina C, vitamina E, entre outros. No entanto, o médico alerta. "Fotoprotetores orais complementam o protetor solar, não substituem."

Segundo o dermatologista, o ideal a ser aplicado é a quantidade de 2 mg de protetor por centímetro quadrado. Para as pessoas que possuem pele muito clara ou histórico de câncer na família (ou pessoal), recomenda-se o FPS 50. Além disso, todos devem associar o produto a outras medidas: evitar exposição das 10 às 16h e proteger-se com guarda-sol, chapéu, boné e roupas com proteção solar.

A reaplicação também é importante. Conforme a absorção da radiação, o produto vai perdendo a eficácia. Por isso, o dermatologista indica a reaplicação de 3 em 3 horas para quem está na praia ou piscina. No dia a dia, uma vez na parte da manhã e outra na hora do almoço é suficiente. O que não pode é ficar sem aplicar. "Exposição a luzes artificiais também contribui com o processo de envelhecimento, o ideal é se habituar ao protetor. É igual escova de dentes, tem de usar todos os dias", finaliza.